sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A mulher BMW

Amor ou dinheiro?

A garota Ma Nuo causou polêmica na China. Em um programa de TV, sem nenhum pudor, anunciou: “Eu prefiro chorar em uma BMW do que sorrir em uma bicicleta”. Ficou conhecida como “a mulher BMW”.

Ma Nuo, segundo reportagem do “Der Spiegel”, não é a única a pensar assim. As garotas chinesas, a fim de abocanharem seu quinhão no impressionante progresso econômico do país, vivem um dilema: amor ou dinheiro? E adivinha qual a escolha delas? Money, claro!

“Qual o sentido? Sem um apartamento, o amor não é possível”, declarou outra chinesa para o jornal alemão.

A reação contra as “material girls” chinesas vem da classe artística. Em um espetáculo (“Fight the Landlord”), uma personagem, conhecida como B, grita: “Não pense que por eu não ter nada do que me orgulhar, você pode me insultar e me destruir! Eu tenho minha dignidade, e não quero transformar o amor, que prezo tanto, em algo vulgar e pálido!”.

O cineasta Zhang Yimou (“Lanternas Vermelhas”, “Nenhum a Menos”) também palpitou: “Eu não acho que o progresso econômico e a busca pelo amor excluem um ao outro”.

Taí a China experimentando o “gosto amargo” do espírito mercantilista. Enriqueceu, fodeu! E as chinesas, de olho gordo na conta bancária dos seus pretendentes, voltam-se cada vez mais para “o gozo das coisas materiais”. O dinheiro pode comprar o amor? Na China, as garotas acham que sim.

Vale lembrar que o país, até poucos anos atrás, vivia na pindaíba. Esse ambiente de riqueza é novidade por lá. Por isso, acho perfeitamente normal esse “deslumbramento” da “mulher BMW”. Logo, ela e as outras chinesas vão descobrir que não precisam depender de homem nenhum “para se dar bem na vida" e podem se virar sozinhas.

Mas, sejamos honestos: garotas materialistas não são exclusividade chinesa. Lá é um fenômeno recente, enquanto no Brasil, por exemplo, já estamos acostumados com as "alpinistas sociais" disfarçadas de "frutas". Arrisco dizer que, no fundo, toda mulher tem um pouco de "material girl" dentro dela. E, antes que você me xingue de sexista ou algo parecido, saiba que eu não vejo mal nenhum nisso.

Que pecado há em desejar que o amor venha acompanhado de um anel de diamantes?

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Leia reportagem da “Der Spiegel”: Encontrando o amor entre as garotas materialistas (para assinantes do UOL e da Folha)

2 comentários:

  1. Dinheiro é essencial. Isso todo mundo sabe. Dinheiro a mais, se bem administrado, gera conforto.

    Também acho que toda mulher tem um pouco de "material girl" e quer glamour, mesmo que não perceba.

    E quanto ao $$ x amor, se você se torna independente, se sente mais segura, mais pronta para encontrar um amor e viver tranquilamente com ele. E só se chega nisso com dinheiro.

    Tô vivendo um problema nesse sentido. Sem grana e sem poder ficar mais tempo com quem eu quero. Parece que a distância faz o amor diminuir.

    Seu texto faz todo o sentido, de diversos pontos de vista ;)

    Beijos, Marcos, obrigada pelo comentário no meu blog! Muito querido você :)
    =****

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  2. O problema não é querer que o amor venha com um anel de diamantes. O problema é isso ser pré-requisito. Não vou ser hipócrita: claro que é bom que o cara tenha grana. Mas isso é um extra, não pode ser o fundamental. É como diz o final da matéria: "Por que [as mulheres] não podem trabalhar duro e comprar uma casa junto com seu homem?" Não sei. Você sabe?

    Beijo!

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