segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Nomes sem sobrenomes

Bandido nasce bandido?

Quem é Zeu? E Vitinho? Elias Maluco, Mister M, FB, Pezão, Polegar, Fernandinho Beira-Mar, Piloto, Chris, Pingo: quem são esses caras?

Gente malvada, capaz de cometer crimes bárbaros? Sim, com certeza.

Mas de onde vieram esses caras? Como se tornaram bandidos? Por que “optaram” por viver à margem da lei?

Deve haver uma história por trás de cada um deles, não? Uma história de ódio e vingança conhecida por todos nós, mas que a gente finge não ter nada a ver com isso.

Bandidos nascem bandidos? Acho que não. E nem “viram” bandidos somente porque nasceram pobres, no “beco escuro” dessa nossa histórica desigualdade social. Fosse assim, haveria mais criminosos do que gente honesta nas periferias e morros “pardos” do “Brasil Favela”.

Suportar a “opressão branca” não é moleza, não, meu caro! E a maioria suporta, limpando o chão onde você pisa, sem partir para o combate armado.

Escrevi um post chamado O Exagero Simplifica as Coisas, que falava sobre as eleições presidenciais. A recente “guerra ao tráfico” no Rio de Janeiro mostrou, mais uma vez, essa nossa tendência ao exagero em momentos de tensão.

Uns (a maioria, talvez) queriam assistir “ao vivo” ao massacre dos “favelados”, encorajados pela cobertura espetaculosa das emissoras de TV. Outros pediam cautela, preocupados com a segurança dos inocentes. Ainda bem que venceu o bom senso.

Mudança de mentalidade das forças policiais? Como saber? Se a operação ocorresse na “calada da noite”, sem “testemunhas” por perto, será que o desfecho seria o mesmo? Será que o Zeu sairia vivo do cerco? E quantos moradores não tiveram suas casas invadidas e roubadas pela “banda podre” da polícia?

Descritos como “heróis” pela Grande Mídia, agora pega mal mostrar policiais metendo o pé na porta de inocentes.

E quem financia o tráfico, hein? Quem é que dá dinheiro ao traficante e, depois, mostra-se indignado porque o traficante construiu uma “mansão” com piscina e banheira de hidromassagem no meio da favela com o seu dinheiro?

Não quer participar diretamente da criminalidade, plante o seu próprio pé de maconha no quintal de casa e assuma os seus próprios riscos.

Não defendo bandido. Mas acho que podemos até comemorar o fato de que apenas alguns se tornem bandidos e apontem suas armas contra a gente. Esses revolveram “revidar”. Tomar na força o tênis Nike do playboy da zona sul. A maioria, gente de bem, batalha para manter nome e sobrenome limpos.

Se não queremos “produzir” mais criminosos, devemos diminuir esse fosso que separa o asfalto do morro. De que maneira? Não sei. Minha limitada inteligência só vai até a letra E. Mas transformar esse “tiroteiro” num mero “reality show” entre “mocinhos X bandidos” é simplificar demais as coisas.

Quem está do lado do bem? Quem é isento de culpa? Bandido bom é bandido morto? 

Um comentário:

  1. Boa visão, Marcos :)
    Mais um texto ótimo, é isso aí!

    Beijão!!! =*

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