segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Para que serve a parada gay?

Parada Gay de São Paulo

Vi as fotos da Parada Gay do Rio de Janeiro, realizada no domingo, 14 de novembro, e um sentimento de “déjà vu” me abateu. Mais do mesmo. “Gaiola das Loucas”. Estereótipos ambulantes na praia de Copacabana.

Parada gay é igual em qualquer parte do mundo.

A pergunta que não quer calar é: para que ainda serve a parada gay? Será que mostra uma visão bacana da comunidade LGBT?

Iniciada em 1997, a mais famosa parada gay do Brasil (a de São Paulo) reuniu, em sua primeira edição, não mais que dois mil manifestantes. O evento cresceu e se multiplicou. Hoje, atrai milhões de pessoas, faz parte do calendário oficial da cidade e recebe visitantes de várias regiões do país.

Ao se transformar em evento, no entanto, a Parada Gay paulistana perdeu seu caráter “político”, deixou de fazer sentido. É apenas mais uma festa de rua, onde um bando de gente errada se junta para requebrar a cintura e “expor a mercadoria” movida a “vinho” barato e com a ideia torta de que entre homossexuais tudo é permitido. Não, não é.

Fui a várias edições da parada. Hoje, não mais. E o motivo da minha desistência é muito simples: não me identifico com essa “festa estranha cheia de gente esquisita”.

Essa imagem hedonista do universo gay me parece ultrapassada, do tempo em que show de drag queen fazia sucesso no programa de auditório do Silvio Santos. E isso foi há quantos anos mesmo?

Já conquistamos a tal visibilidade. Agora precisamos conquistar o respeito dos “vizinhos”. E não acho que seja “mostrando a bunda” no meio da rua que as pessoas vão nos enxergar como cidadãos “respeitáveis”.

É hora de decidir: ou nos comportamos como adultos ou assumimos de vez a putaria e a purpurina como bandeira.

Qual você prefere?

5 comentários:

  1. Achei digna sua visão =)

    Só passei perto das Paradas Gays que aconteceram na minha cidade. Sei lá, respeito quem quer se mostrar dessa forma, mas também deve manter a dignidade, afinal, outras pessoas estão vendo.

    É isso aí, bom post!
    Beijões! =******

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  2. Sempre pensei desta forma, não consigo me encontrar na parada gay, já foi necessária, mas hoje se tornou ultrapassada. Acho tb muito estereotipado e me incomoda a visão que as pessoas tem que a “vida gay” é regada a farra, drogas e muita festa o tempo todo. Tenho um casamento (gay) tão comum como qualquer outro (hetero), amo e sou amada como qualquer outra pessoa e ainda criamos uma filha linda, e hoje só exijo RESPEITO!!!
    Maravilhoso teu texto bjs,
    Silvia.

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  3. arrasou! eu também sempre pensei dessa forma, apesar de ter me divertido (e muito) na parada de sao paulo ha mais de dez anos atras.

    adorei o blog. usei lexapro por dois anos e acho q esta na hora de rotomar o processo de medicamento mais uma vez. comecei a achar que isso seria uma derrota, mas se tratando de uma doenca nao é derrota e sim tratamento. vou ler mais o seu blog e quem sabe nos comunicamos um dia. abracos!

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    “expor a mercadoria” movida a “vinho” barato e com a ideia torta de que entre homossexuais tudo é permitido. Não, não é.

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    Isso foi um atestado de "Sou Diferente, morte aos mortais"

    Ou és apenas uma senhora recatada...

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  5. Drag Queen Tchaka é a Rainha da Militância e das festas mais badaladas no Brasil e esteve presente como drag repórter especial do site Programa de Viagens na cobertura da Parada Glbt de Copacabana 2012

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