quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Queria ser um vagabundo profissional

Chaplin

Num papo à toa, uma amiga disse que, se ela ganhasse R$ 1 milhão na Mega-Sena, abriria uma pet shop. De brincadeira, falei que pobre, até quando ganha uma pequena fortuna na loteria, só pensa em trabalho. Eu, se tal quantia fosse depositada na minha conta, viveria de renda.

Como já escrevi em outro post, o trabalho só rouba o tempo que a gente podia estar usando para fazer coisas beeeeem mais interessantes e prazerosas. A conta é simples: quanto + trabalhamos, menos curtimos a vida.

O problema é que o trabalho hoje é mega-hyper-bluster valorizado. Revistas como “Você S/A” e “Época Negócios” não fazem outra coisa além de “ensinar” as pessoas como atingir o sucesso profissional. Livros de autoajuda, como “12 Meses para Enriquecer” (Afe!), seguem na mesma linha.

(Será que os ingênuos ainda não entenderam que nem todos somos inteligentes e competentes o suficiente para chegar lá?!)

Se pudesse, pararia de trabalhar agora! Viraria um vagabundo profissional! Uma Paris Hilton com pinto! Não é que estou insatisfeito com o que faço. É que sei que existem milhões de outras coisas na vida em que sentiria muito mais prazer em fazer. Sei lá, aprender tricô & crochê, por exemplo.

O grande Oscar Wilde dizia o seguinte: “Trabalho é o refúgio dos que não têm nada para fazer”. Putz! Existe verdade mais verdadeira do que essa?

Esse papo de CARREIRA PROFISSIONAL é muuuito classe média. Assim como ter casa própria e comprar carro zero quilômetro em 64 “suaves” prestações. Repare: o maior sonho de todo burguês é ser promovido. E, quando isso acontece, inventa-se até um happy hour para celebrar a promoção.

Nessa pegada de “subir na vida” e, quem sabe, enriquecer, vamos deixando o tempo passar e, quando nos damos conta, chegou o momento de “vestir o pijama”. É nessa hora que a gente costuma se perguntar: “Será que valeu a pena abdicar dos prazeres da vida para investir tanto tempo nessa tal carreira profissional?”.

Mais uma vez recorro a Oscar Wilde: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas não faz mais do que existir.”

Bingo!

3 comentários:

  1. Ler uma crônica dessa depois de um plantão de 48 hrs é irônico... A verdade é que tanto trabalhando, no ócio ou em atividades de lazer, se estamos felizes, entregues ao momento de verdade, estamos vivendo. De outra forma nos estressamos e frustamos apenas, seja atendendo de forma inadequada um cliente, não aproveitando um dia vago com prazer ou com a cabeça acelerada em pensamentos, num domingo ensolarado à tarde na cachoeira(já que em Minas, a natureza nos brinda com outras belezas, não marítimas).

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  2. Adoro essa frase do Wilde!

    Concordo com o post todo! Como dizia minha professora de geografia: "a classe média é a que mais se fode: não se contenta com farofada na praia, mas não tem dinheiro pra viajar pra Europa no fim do ano".

    Boa sorte, mais uma vez!

    Beijos!

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  3. Quantas desculpas esfarrapadas so pra filar bóia e cerveja dos outros. Pra viver a vida precisa de grana....Do papai né.kkkk

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