sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sim, a mulher pode. E Dilma pode mais!

Dilma Rousseff

Lula e quase 56 milhões de eleitores conduziram Dilma Rousseff à presidência da República. Agora, ela conduzirá o país pelos próximos quatro anos.

Dilma é a primeira mulher a presidir o Brasil. Mas, lembre-se: Barack Obama é o primeiro presidente negro na Casa Branca e, nem por isso, sua popularidade se manteve igual à época em que ele foi eleito. Passaram-se dois anos e o seu “Yes, we can” continua como promessa de campanha.

Esse papo de ser A PRIMEIRA é perigoso. Pode iludir a pessoa, encantada com o charme e o apelo de uma “honraria histórica” que deve durar, no máximo, até o segundo round. Posso apostar que, pouco tempo após Dilma assumir o cargo, ninguém mais vai lembrar que ela é a primeira mulher presidenta do Brasil.

É presidenta e ponto final!

Agora, se Dilma fizer bobagem, a primeira coisa que virá à cabeça dos descontentes é o fato de ela ser do sexo feminino. E dá-lhe porrada! Afinal, “bater” em mulher, no Brasil, é “esporte nacional”. E “bater” em uma mulher que ousou ocupar o cargo mais importante do país com certeza vai alegrar ainda mais os oposicionistas ma/cho/cados.

O mandato de Dilma, ao que tudo indica, não será moleza. Logo no dia seguinte à sua eleição, o país rachou ao meio, com ataques de paulistas a nordestinos e a reação dos nordestinos ao ataque dos paulistas.

Ok, o pânico xenófobo iniciado pela menina bocó foi direcionado ao “bóia-fria” que, por acaso, se tornou o presidente mais popular que o Brasil já teve. Mas o próximo alvo, sem dúvida, será Dilma. Basta um pequeno deslize, uma Erenice qualquer, e os bombardeios à sua figura feminina serão pesados. Quem viver, verá.

Para mim, tanto faz se quem está no comando do país é uma mulher, um negro, um índio ou uma travesti. Chegou lá, tem que mostrar a que veio. Senão, leva pau do mesmo jeito.

Entendo as mulheres que se sentem orgulhosas e felizes por serem representadas por Dilma. É como se a vitória da candidata petista vingasse séculos de opressão masculina. A própria Dilma, em seu discurso depois de eleita, salientou isso: “Sim, a mulher pode”.

Dilma, como qualquer outro(a) em seu lugar, pode realizar um governo maravilhoso ou catastrófico. Em ambos os casos, apoiadores e oposicionistas vão fazer questão de exagerar nos elogios ou nas críticas ao PODER FEMININO.

E desse embate surgirá um Brasil menos machista (se Dilma se der bem) ou ainda mais sexista (se Dilma repetir os erros de governos passados). Se ela pisar na bola pra valer, não duvide: vai demorar muito tempo até outra mulher ocupar a presidência do país.

Por enquanto, acho que o Brasil deu um passo à frente ao eleger uma mulher ex-guerrilheira divorciada que venceu o câncer e topou enfrentar a fúria dos "coronéis" que exploram o nosso país desde Cabral.

Por enquanto... Logo a "lua de mel" acaba.
 

Um comentário:

  1. Eu nunca tinha pensado desse jeito, e é uma verdade das grandes. Ontem eu vi um piloto de um programa com o Mr. Catra que é uma ode ao machismo de uma forma tão descarada que me fez lembrar que o mundo não é feito das moças feministas do twitter... se quiser, eu passo o link.

    Você tá bem?

    Beijão!

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