sábado, 27 de novembro de 2010

Transtorno da Feiúra Imaginária

Jocelyn Wildenstein, socialite americana que gastou US$ 4 milhões 
em operações plásticas para virar uma "mulher-gato"

Pesquisa realizada na Universidade de São Paulo com 350 entrevistados concluiu o seguinte: 14% das pessoas que já fizeram ou pensam em fazer alguma intervenção estética sofrem de transtorno da feiúra imaginária: a pessoa se vê deformada no espelho e, apesar de fazer uma plástica atrás da outra, nunca está feliz com a aparência.

A doença não é nova. Foi descrita há pelo menos cem anos. Mas continua pouco conhecida entre dermatologistas e cirurgiões plásticos. Tem outros nomes: dismorfofobia, transtorno dismórfico corporal ou síndrome de Quasímodo (referência ao corcunda de Notre-Dame, famoso personagem criado pelo escritor Victor Hugo. Em sentido figurado, Quasímodo significa pessoa deformada, extremamente feia, monstrenga).

O caso mais popular de dismorfofobia é o do cantor Michael Jackson.

Ok, esses são os fatos. Agora, que tal especular um pouco?

Ao observar os sintomas que podem diagnosticar se a pessoa sofre ou não de transtorno da feiúra imaginária, notei que esse distúrbio mental tem tudo para virar o “novo hit” planetário entre as doenças “da moda”. Ou já é e a gente é que não sabe?

Vejamos:

➢ Olhar no espelho constantemente.
➢ Usar acessórios como chapéus e óculos para se esconder.
➢ Fazer muitos procedimentos estéticos e intervenções cirúrgicas.
➢ Comparar-se com pessoas famosas.
➢ Fazer bronzeamento artificial repetidamente.
➢ Perder compromissos por causa da preocupação exagerada com a imagem.
➢ Comprar muitos produtos de beleza.

Se esses são os sintomas, quem são os doentes? Em maior ou menor grau, todos nós que consumimos com voracidade bocó o “ideal de beleza” vendido pela mídia.

Sei que é horrível falar isso, mas não se engane: nem toda feiúra é imaginária, ok?

Dizem que vivemos sob a “ditadura da beleza”, a “ditadura da magreza”, a “ditadura da saúde total”. É tanta ditadura que daqui a pouco a gente não vai ter mais pra onde correr.

Reflexo dessa onda de higienização moral, ideológica e estética, “gorda” se transformou no pior dos xingamentos; fumante virou “inimigo público n. 1” da humanidade; e defender direitos humanos é coisa de “bolchevique”.

Em entrevista para a revista “Quem”, a cantora Elza Soares se saiu com essa: “Se eu acordar de manhã, olhar no espelho e tiver um pedaço que eu não gosto, mando tirar”. Adoro a Elza, mas esse não é um típico caso de transtorno da feiúra imaginária? Ou vaidade excessiva? Ou Elza é apenas mais uma “vítima” de um momento histórico de insatisfação generalizada?

Falta algo. Não sabemos o que. Por isso, recorremos aos antidepressivos, aos livros de autoajuda, ao Caminho de Santiago de Compostela, a viagens espirituais até a Índia, às redes sociais, ao astrólogo, à cartomante, ao pastor falastrão, ao hiperconsumo, ao suicídio, a cremes antirrugas, à caixa de bombons, às cirurgias plásticas que prometem o "nariz perfeito" e o fim das rugas.

Conclusão: para ocupar o vazio existencial, preencha-o com autoengano.

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