quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Don't ask, don't tell

Dan Choi

Dan Choi foi expulso do exército norte-americano porque é gay. Californiano de origem coreana, ele serviu na Guerra do Iraque entre 2006 e 2007. Resistiu por longo tempo a revelar sua orientação sexual. Quando o fez, foi pego pela política do “Don’t Ask, Don’t Tell” imposta aos militares. Ou seja: lá você pode lutar e morrer pelo Obama e... pode ser gay, desde que não fale pra ninguém e viva na “clandestinidade”. Mais hipócrita, impossível!

Fora do exército, Dan Choi virou ativista contra essa política do “disfarce” e deu um depoimento esclarecedor para a “Folha”. Comento alguns trechos:

Dan Choi: “Meu pai fez parte do exército coreano [...] e sempre disse que você deve servir a algo maior. O que realmente ele quis dizer foi: ‘se não servir o exército, não é homem.”

          ➢ Pais, mesmo sem querer, costumam cometer barbaridades contra os filhos. O meu, por exemplo, seguiu a “tradição” e me levou a um puteiro quando eu tinha uns 15/16 anos. Entrei em pânico! Falhei! A puta compreendeu minha aflição. Depois, transei com garotas. Não queria “decepcionar” o meu pai. É essa pressão de corresponder às expectativas paternas – e da sociedade – que transforma a vida de muitos jovens num verdadeiro inferno.

Dan Choi: “Sempre achei que fosse uma fase, pensava que era pecado e que precisava mudar. Talvez rezando, saindo com as garotas, me ‘curasse’. Talvez não fosse masculino o suficiente. Se entrasse para o exército, jogasse futebol, não seria gay.”

          ➢ Às vezes, é uma fase mesmo. A juventude é período de experimentações e descobertas. Muitos heterossexuais tiveram relações homoeróticas na infância/adolescência. O problema é quando percebemos que o desejo permanece em nós: incontrolável, onipresente. Por que eu? como ‘curar’ isso? são questionamentos comuns. E isso só muda quando nos conscientizamos de que a homossexualidade é uma variação normal da sexualidade humana.

Dan Choi: “Especialmente para gays suicidas, ver outras pessoas virem a público é muito poderoso.”

          ➢ Sim. Rick Martin, por exemplo, fez um bem danado a muitos jovens homossexuais ao “sair do armário”. Quanto mais pessoas públicas assumirem sua orientação sexual, menos penoso será para garotos e garotas compreenderem que não são nenhuma “aberração”. Muito pelo contrário. O que cada um faz na cama não define nem o caráter nem a capacidade profissional da pessoa.

Dan Choi: “Eu disse: Sou gay! Não vou mentir para vocês. Aqui fora vocês têm um pôster que diz: ‘não deixe nenhum soldado para trás’. E os soldados gays?”

          ➢ Infelizmente, revelar a homossexualidade, em alguns meios, ainda pode causar reações intolerantes e covardes, como aconteceu com Dan Choi, expulso do exército. É bem melhor ser assumido para poder viver plenamente, sem camuflagens. Mas cada um deve saber a hora certa de “abrir o jogo” e quando isso realmente é necessário. Alguém, por acaso, se apresenta assim: “Oi, sou fulano e sou heterossexual”? Nem os homossexuais precisam sair por aí propagandeando que são gays.

Dan Choi: “Em 2008, conheci o meu namorado. No início de 2009, decidi contar para os meus pais.”

          ➢ Pode parecer babaca dizer isso, mas o amor nos fortalece de tal maneira que, de repente, percebemos que somos capazes de enfrentar o mundo com uma coragem inédita. Fiz como Dan Choi. Apaixonado, me abri para várias pessoas do meu convívio social. Foi um choque para a maioria. E eu, nem aí.

          ➢ Clichê absoluto: só o amor é capaz de revelar quem somos de verdade.

Um comentário:

  1. Parabéns pela forma como encara esse assunto, Marcos. Seja feliz, independente de quem é ou da sua orientação sexual. Quem merece seu carinho e sua atenção gosta de você assim!

    Um beijo e um abraço! Boa sexta!

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