sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Esse insuportável "teatro da bondade"

Solidariedade. A-hã...

Desculpa aí, tá? Mas não consigo me emocionar com o chororô das campanhas humanitárias de Natal: iniciativas “do bem”; ”adote uma criança”; “doe um brinquedo”.

De repente, não mais que de repente, chega o fim do ano e todo mundo fica “bonzinho”, “solidário”, “fraterno”. Argh!

Sou um monstro?

Bom, se “monstro” é quem não está nem aí para essa cafonice natalina movida a luzes chinesas e hiperconsumo, esse sou eu!

No “Video Show”, o “TV Fama” da TV Globo, vi dois atores entregando presentes para uma menina de uns seis anos. A menina deve ser órfã ou pobre. A reportagem não informou.

A pequena recebeu o agrado porque escreveu carta para um tal Papai Noel. Já ouviu falar? Trata-se de um velho safado de barbas brancas e roupa vermelha. Um “porco capitalista”, como cantava os Garotos Podres lá na década de 1980: “Presenteia os ricos / E cospe nos pobres”, berrava o punk da periferia.

Mais escandaloso foi ver a “interpretação” canhestra dos atores. Com expressões caridosas e emoção contida, pediam às pessoas para “abrirem seus corações”.

Ah, vai catar coquinho!

Esse “teatro da bondade” não me convence. Festa de confraternização. Amigo secreto. Família feliz. Tudo fingimento!

Basta o Natal passar, o ano novo chegar e voltamos ao nosso habitual egoísmo cotidiano, xingando o motorista ao lado, amaldiçoando os meninos que vendem chiclete nos semáforos, maldizendo os colegas de trabalho.

Pior: endividados até os dentes depois de gastar os tubos com presentes, perus e panetones. Tô fora!

Nenhum comentário:

Postar um comentário