domingo, 19 de dezembro de 2010

A estética do lucro

Still da campanha "Questões", do Itaú

Não há nada mais dissimulado e perturbador do que comercial de banco. É de revirar o estômago. Repulsivo!

Repare no que diz um desses anúncios:

“Qual o papel de um banco numa sociedade de consumo que está descobrindo que o consumismo sem limites não vai levar a nada? Como orientar as pessoas a usarem o dinheiro conscientemente, ao invés de inconscientemente serem usadas pelo dinheiro? [...] Quando a sociedade e o mundo começam a fazer novas perguntas, é preciso pensar em novas respostas.”

O texto, narrado por uma voz masculina sedutora, é acompanhado por uma música melosa ao fundo e imagens de “gente feliz”, sorridente, saudável.

Agora responda: não cheira à fraude uma instituição bancária falar em consumismo sem limites e uso consciente do dinheiro? Afinal, todo banco quer mesmo é que você se foda! Gaste muito. Faça empréstimos. Entre no cheque especial. Acerte suas dívidas em dia, pagando juros escorchantes.

É dessa relação sadomasoquista entre credor (banco) e devedor (nós) que vem boa parte do lucro estratosférico dessas instituições.

Para maquiar essa realidade bruta, os publicitários inventaram essa espécie de “estética do lucro”. É uma estética romantizada que busca descaradamente “humanizar” os bancos através de imagens/mensagens clichês do que seria uma “vida perfeita”.

Se você prestar atenção, todo comercial de banco segue a mesma receita dos livros de autoajuda, das baboseiras "edificantes" do Paulo Coelho.

A lógica – perversa, diga-se de passagem – é fazer você pensar na sua vida, nos seus desejos e anseios, e esquecer dos juros extorsivos cobrados por essas instituições.

Não caia nessa. Banco é banco. Fim de papo. 

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Assista ao comercial criado pela Agência Africa: Questões

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