terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Aos redatores de moda, com carinho

Lady Gaga

Menos é mais, certo?

Então por que diabos jornalistas e redatores de moda exageram nos aumentativos, diminutivos, estrangeirismos e outros ornamentos linguísticos que transformam o texto em um figurino da Lady Gaga?!

Logo na moda, área ViAiPi que supostamente deveria refletir o tal do “bom gosto”. Logo na moda, “gaiola das loucas” frequentada por gente que se acha capacitada para apontar tendências de vestuário para os “desconjuntados”.

É “elegantérrimo” pra cá, “chiquérrimo” pra lá, e sempre seguido de um hiperbólico ponto de exclamação. Ou o contrário: uma profusão de adjetivos que parecem sofrer de espécie de nanismo gramatical: inhos e inhas fofinhos, bobinhos e infantilizados.

Ainda tem os malditos estrangeirismos. Cabeleireiro virou hair stylist; maquiador, make up artist; caçador de talentos, scouter.

Os mais entusiasmados não abrem mão de enfiar uma expressão inglesa aqui e outra acolá: fashionable, tacky, look, catwalk, shape, new face, blábláblá. Acham “chique”, “mUderno”, “culto” pendurar esses “enfeites” desnecessários em cada parágrafo.

Há quem defenda a ideia de que esse linguajar afetado faz parte do circo da moda. Até pode ser. Numa conversa à toa entre “peruas” lipoaspiradas na primeira fila da semana de moda. Na redação, porém, esse excesso de melindre apenas demonstra a pavonice provinciana dos autores.

Para reforçar suas opiniões, usam aumentativos. Para seduzir o leitor, usam diminutivos. Para mostrar conexão com o mundo, usam estrangeirismos. Mas, nesse texto-embalagem cheio de floreios e frufrus, esquecem do fundamental: o conteúdo.

4 comentários:

  1. Eu tenho horror desses anglicismos mequetrefes. Nada pode ser mais cafona, antiestético e desagradável.

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  2. fora tudo isso, a retórica pseudo semiótica de superfície é tão deprimente quanto desnecessária...
    deve ser complexo de inferioridade intelectual.
    por escreverem coisas que eles próprios consideram fúteis, vestem essas armaduras de brinquedo.
    gentinha. kk

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  3. O último paragrafo do texto é a "chave" para o enigma rs...
    Sem contar que sem este artíficio linguístico que também visa excluir os não "cool", "cult" e "fashionistas" o mercado de moda se mostra "clean" em demasia e um tanto quanto "nude" aos olhos do leitor.

    No circo da moda não há espaço para o pão (engordativo e "out") em substituição um vocabulário pomposo, enfadonho e risível.

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