terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Os bons morrem cedo

Colônia Nosso Lar

Me encontro em algum lugar entre o ateísmo e a completa indiferença à Deus – se Deus existe ou não, pra mim, tanto faz.

É assim que me posiciono diante do mundo desde que descobri meu ante/passado entre chimpanzés, gorilas e orangotangos, deletando do meu HD disfuncional tudo que aprendi nas aborrecidas aulas de Catecismo. Mas há um momento – único e trágico – que faz esse meu DES/CRER atabalhoado balançar: quando alguém próximo a mim morre.

Aconteceu no domingo, 12 de dezembro. E foi um choque.

Foi morte morrida inesperada súbita. Morte de quem não merecia morrer. Sim, há mérito na morte. Há quem mereça “ir para o buraco” por incivilidade crônica, por vir ao mundo com seu DNA podre apenas para foder com os outros.

Esses, infelizmente, demoram a “ir para o inferno”. Quem nos deixa – CEDO DEMAIS – são sempre os bons.

É nessas horas que eu queria acreditar nesse papo de “vida após a vida”; de que, ao morrer, os bons são “transportados” para uma “dimensão superior”. Quem sabe os campos verdejantes e high-tech da colônia Nosso Lar, descrita pelo médium Chico Xavier no livro e filme de mesmo nome?

Queria acreditar que existe sentido na vida – e na morte. Que “Deus sabe o que faz”. Que há algo “maior” além dessa pasmaceira chamada “existência”.

Se eu fosse um crente, talvez a fé religiosa agora sossegasse o meu coração, apaziguasse a dor da perda com a promessa de que ele, como dizem, realmente foi “dessa para melhor”. Será?

Será mesmo que o corpo é apenas matéria perecível e o espírito, imortal? Será que ele continua o cara bacana que sempre foi em outro plano?

Tomara que sim.

Mas ao vê-lo ali, imóvel para sempre, senti um profundo desprezo por qualquer explicação metafísica, religiosa ou filosófica para a morte. Ela simplesmente acontece: num segundo estamos vivos, no outro, puf... desaparecemos!

E é quando somos surpreendidos pelo "fim" que percebemos que nem tudo obedece à nossa vontade. Nesse momento, recorremos à Deus para aplacar a raiva/revolta que sentimos por perder alguém querido.

Quem crê, reza. Quem não crê, xinga. Sem forças para xingar, eu silenciei, chorei com tristeza avassaladora a morte de um dos caras mais legais que conheci na vida. 

Vai com os anjos, Maurão. Vai em paz...   

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Para Mauro Beltrami: Os Bons Morrem Jovens (Legião Urbana). 

2 comentários:

  1. Sem palavras.
    Só espero que fique bem, Marcos.

    Sinta-se confortavelmente abraçado.
    Força, muita força!
    Sabe que estou aqui, mesmo longe :)

    Beijos!

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  2. O que eu posso dizer....se é que há alguma coisa a dizer.
    Foi o dia mais triste em toda minha vida!!!
    Perdi um pai muito querido e amado....e uma pessoa realmente incrível, só quem o conheceu pode compreender.....

    Obrigada pela mensagem...

    bjus

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