quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O jornal e os leitores "cuecões"

Jornal: dias contados

No lançamento do seu novo projeto gráfico, a “Folha de S.Paulo” abusou de expressões batidas como "inovação", "inquietude" e "coragem" para demonstrar que está “animada diante do novo”. Balela. Na verdade, deve estar assustada com as mudanças que estão ocorrendo no mundo. E, para sobreviver momentaneamente a essas transformações, buscou renovar o visual. É como uma senhora encarquilhada que recorre a cirurgias plásticas para disfarçar o envelhecimento. De nada adianta. O efeito “rejuvenescedor” dura apenas algum tempo. Depois, só resta aguardar pelo fim.

O jornal, como o conhecemos hoje, está com os dias contados. Pode acontecer em cinquenta ou cem anos, mas é certo que desaparecerá. Está aí o iPad para confirmar essa “sensação”. Para nós, seres do século 20, o tablet da Apple ainda pode parecer um “alienígena”, algo que não sabemos muito bem como lidar. Mas, para as gerações futuras, ler notícias ou livros em aparelhos móveis será como andar para frente.

Fora que o fim do jornal – e das revistas e dos livros – representaria menos árvores derrubadas. Um bem para o planeta.

Sou assinante da “Folha” há mais de 10 anos. No ano passado, pensei em cancelar a assinatura, passando a acompanhar o jornal apenas pela internet. Mas tenho duas cadelas em casa que precisam de papel para suas necessidades fisiológicas. Pensando nelas, mantive a assinatura.

No futuro, não sei o que substituirá o jornal nessa função importantíssima: privada de cachorro – a única que ainda explica a existência de um veículo de informação tão ultrapassado como o jornal impresso. Repare: tudo que é publicado nos diários tem sabor de pão amanhecido. É como ler a resenha de um disco lançado oficialmente hoje, mas que vazou na internet há dois meses. Quem ainda estaria interessado? Só os leitores “cuecões” e desconectados que ainda acreditam na “análise imparcial” da Grande Mídia.

Prefiro o blábláblá instantâneo e barulhento das redes sociais. Notícias em tempo real vindas de todo canto, informações destrambelhadas, opiniões pró e contra, bate-boca generalizado. Me faz pensar/refletir mais do que receber um único ponto de vista – nem sempre honesto e, ainda por cima, requentado. 

Um comentário:

  1. Achei sensacional a sacada "privada de cachorro"! Hahahaha! Mas é verdade. A extinção dos jornais impressos faria muito bem para o meio ambiente. Eu lia a Folha quando tinha 17 anos, na época do vestibular, e só o fiz por causa da redação e das perguntas de português contextualizadas.

    Depois disso, tudo online. Muito mais prático. Melhor ainda é, como disse, saber o que acontece pelo Twitter e pesquisar notícias específicas, ao invés de sujar as mãos e ter que fazer malabarismos para segurar aquelas grandes folhas.

    O mundo está mudando, sim, mas nem todos conseguem acompanhar.

    Beijos!

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