sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Seja marginal, seja do contra

Obra de Hélio Oiticica

No final da década de 1960, havia um movimento que via no marginal uma figura romantizada. Motivo: o marginal, segundo essa visão, recusava a sociedade como ela se apresentava. Exemplo disso é a obra de Helio Oiticica baseada no assassinato do bandido Cara de Cavalo: “Seja marginal, seja herói”.

A sociedade mudou, os bandidos perderam o “charme” de antigamente e, hoje, a famosa frase de Oiticica – devidamente reembalada, claro – poderia servir para outros propósitos. 

Tipo:

Seja marginal, seja homossexual.

Seja marginal, seja feminista.

Seja marginal, elogie o Bolsa Família.

Seja marginal, seja Laerte.

Seja marginal, reduza as suas emissões de CO2.

Seja marginal, apóie o WikiLeaks.

Seja marginal, não maltrate animais. 

A DIREITA – sempre unida em suas manifestações de intolerância – faz o diabo para marginalizar quem evolui e brada por liberdade e igualdade de direitos.

“Todo ser em movimento / é perigoso / todo ser que se transforma / incomoda”, escreveu o poeta Paulo Leminski.

É esse movimento para frente, essa transformação, que amedronta a DIREITA. Para os “coronéis”, cada um deve permanecer em seu devido “curral” e qualquer mudança é entendida como “atentado” à Tradição, Família e Propriedade.

A reação reacionária repressora da DIREITA aos movimentos sociais é sempre a mesma: desacreditar os “oponentes”, acusando-os de vagabundos e marginais – e inventando expressões absurdas como “ditadura gay”, “feminazi” e “heterofobia”.

O objetivo é claro: inverter os papeis entre opressor e oprimido.

A boa notícia é que a DIREITA é única, uniformizada, previsível, enquanto a ESQUERDA é diluída em dezenas de frentes de batalha. Quer encurralar a DIREITA?

Seja marginal, seja do contra. 

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