sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Televisão: "diversão de pobre"

TV: amontoado de "asneiras"?

Estou lendo “Coração Apertado” (Cosacnaify), romance da francesa Marie NDiaye, empréstimo e indicação generosos do amigo João Lourenço. Em um trecho do livro, Nadia, a narradora, desdenha da televisão. Diz que nunca vê TV e se pergunta: “Devo me envergonhar de ter até um certo orgulho disso?”.

O desabafo de Nadia me lembrou pessoas que conheço e que também fazem pirraça de quem assiste programas de televisão. Alguns se sentem + “inteligentes” pelo simples fato de não terem o aparelho em casa. Por quê? Qual o problema de ver TV?

Nenhum. Acho eu. Mas, para “antenados” & “saidinhos”, a TV “aliena as massas”. E a programação, como diz Nadia, é um amontoado de “asneiras”. Concordo. Boa parte dos programas sofre de insuficiência criativa e burrice crônica. Discordo, porém, de quem menospreza a TV por entendê-la como “diversão de pobre” e, por isso, procura manter distância segura.

No Brasil, a televisão é mil vezes mais influente do que o cinema nacional, por exemplo. Excetuando-se casos excepcionais como “Tropa de Elite”, o cinema feito por aqui, além de ser bancado com dinheiro público, não lança moda, não causa falatório, não “acontece”. Bem diferente da TV: nossa principal fonte para “conversas de salão”.

Ok, você não gosta, não assista. Ou assista apenas aquelas atrações “da moda” e cultuadas pelos “moderninhos”, como a reprise de “Vale Tudo” e as séries chatíssimas e pretensiosas dirigidas pelo Luis Fernando Carvalho e que são consideradas Grande Arte pela “intelligentsia”.

Pergunta: quem disse que o que é sono/lento é automaticamente bom? Entre “Hoje é Dia de Maria”, do diretor citado acima, e o “Pânico na TV”, prefiro gargalhar com os absurdos escatológicos do segundo. Para mim, televisão é entretenimento. E, como qualquer forma de entretenimento, deve entreter. Simples assim.

O problema é que bastou as classes baixas começarem a influenciar na programação da TV aberta para “limpinhos” & “cheirosinhos” se refugiarem na TV paga, onde de sentem protegidos do “mundo cão” que rodeia a patuléia “alienada”.

“Ti Ti Ti” e Dostoievsky, a meu, ver, podem conviver numa boa, sem que um anule o outro. Desdenhar da TV apenas para parecer “acima da média” nada mais é que preconceito. 

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