sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

As gazelas saltitantes da fashion week

Bienal, onde acontece a SPFW

Ir ou não à São Paulo Fashion Week faz enorme diferença no currículo de uma pessoa que deseja ser/parecer “descolada”. Mesmo que a tal pessoa não assista a nenhum desfile ao vivo e fique do lado de fora, dando pinta entre os “predestinados”.

A semana de moda paulistana é concorrida. Todos querem convites. Eu, que nada tenho a ver com o evento, recebia dezenas de pedidos. Até que me enfezei e deixei de responder aos solicitantes. Apenas edito a “ffwMAG!” que, por acaso, é publicada pela mesma empresa que organiza esse forrobodó fashion.

“Entender” de moda, fazer parte do circo da moda ou estar entre os bambas da moda (mesmo que lá no fundo da foto, com o rosto desfocado) virou símbolo de “prestígio”. Repare: Lagerfeld nada faz além de desenhar roupas e é ouvido como se fosse um filósofo, um pensador contemporâneo.

Não diminuo a importância da moda como indústria. Por trás do glamour das passarelas, há uma cadeia produtiva gerando caminhões de dinheiro. O que me faz gargalhar são os “monstrinhos de grife” que se proliferam como erva daninha.

Gazelas saltitantes de um suposto “bom gosto” acima de qualquer suspeita, comportam-se como se o mundo fosse um eterno desfile de moda, patrulhando e maldizendo quem não está nem aí para a cor e outras tendências da estação.

Sabem que são fúteis, e por serem fúteis, fazem da combinação entre o sapato e a bolsa medida para julgar os outros. Ora, ora, ora, quer saber? Cada um tem o direito de ser – e de vestir – o que quiser.

Moda é apenas indicação. E só obedece à moda cegamente quem deixou a personalidade escapar pelo ralo do banheiro. 

2 comentários:

  1. Muito bom o teu texto... Ix. Causei uma imensa discussão ontem com minha namorada concordando contigo em vários aspéctos. Gostaria de elogiá-lo novamente pela coragem de falar, mais do mesmo em algum sentido, mas um mesmo que não se tornou dominante enquanto forma/conteúdo, e que se autoreproduz na insanidade/imbecilidade, futilidade, de uma vida na corte. Ocorreu um reducionismo do universo mental do ser humano. Claro que a moda é importante, por mil motivos, o mais importante na minha simples visão de leigo, é o culto a uma certa indendência do indivíduo enquanto ser que se auto-afirma sobre o social. Presenciamos eventos catastróficos na História Moderna, de escatologias coletivistas, que suprimiram quase que totalmente o que há de mais humano, nos diversos aspéctos que isso possa implicar. Chega a ser hipnóptico, por uma auto indução, o que se tornou a moda. É lamentável, e concordo contigo nisto. Bem, não vou escrever mais por tempo, mas gostaria de parabenizá-lo novamente. Valeu!
    Luis Paulo

    ResponderExcluir
  2. Acho que vc é o primeiro gay, que conheco, que nao deixou de ser homem. (tb nao conheco muitos).

    Acho que é Parabéns !

    Moda é uma das muitas imbecilidades que somos obrigados a engolir.

    ResponderExcluir