quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Atenção, senhores passageiros!

Da série Crônicas Nipônicas

Aeroporto de Narita, em Tokyo

De férias, fui para o Japão. Fiquei 20 dias por lá. A maior parte da estadia em Tokyo. Depois, pé na estrada: Hiroshima, Osaka, Kyoto, Nagoya, Matsumoto, Toyota e Nagano.

Na volta, voo da All Nippon Airlines do aeroporto de Narita, em Tokyo, até Londres. Apesar do aperto, viagem tranquila ao lado de gente educada e silenciosa.

As companhias aéreas estão “encurralando” os passageiros da classe econômica em assentos cada vez mais diminutos e promíscuos. É um Deus nos Acuda permanecer por 12 horas “acomodado” naquele espaço impróprio para “maiores”: quem pesa mais de 60 quilos e mede mais de 1 metro e 60.

No segundo trecho da viagem, voo da TAM de Londres para São Paulo. Perigo: 99% de brasileiros no avião. Malas abarrotadas. Briga por espaço nos bagageiros. Gentalha aos berros. Comissários e comissárias de bordo mal humorados. Congestionamento de “sacoleiros” nos corredores da aeronave. Cheiro de bosta pressurizada.

Ainda estava a quilômetros de distância do Brasil e já sentia o clima grotesco e sacudido dessa tal brasilidade cutucar meu orifício anal vulgarmente conhecido como cu.

Voltar, eu voltei. Cheguei com os ossos moídos e o sono destrambelhado. Não se engane: viajar de avião hoje em dia é pegar lotação nas nuvens. Viajar de avião na má companhia de brasileiros é ser obrigado a participar de uma “micareta” nas alturas.

Sobre Carmen Miranda, disseram que ela voltou americanizada. Eu voltei um tantinho mais civilizado. O Japão e outras paradas mais EVOLUÍDAS fazem a gente perceber o quanto ainda estamos na Idade da Pedra Lascada.

Percebi isso assim que entrei no avião-esculacho da TAM. Percebi isso assim que desembarquei no Brasil e soube da nova/velha tragédia ocorrida no Rio de Janeiro.

Voltar ao Brasil é sempre descer a ladeira rumo ao inferno da deselegância pátria. Ai, que saudade da quietude respeitosa no metrô de Tokyo.

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