quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Dois homens, uma cama

Da série Crônicas Nipônicas

Quarto do Hotel Monterey Hanzomon, em Tokyo

Quando planejava, com JK, a nossa viagem para o Japão, nem me toquei de um importante detalhe: a cama onde a gente iria dormir no hotel em Tokyo, cidade onde permanecemos por mais tempo.

Ao chegar lá, a simpática recepcionista logo resolveu a questão: perguntou se queríamos camas separadas ou cama de casal.

Óbvio que escolhemos a cama de casal.

A pergunta, no entanto, me surpreendeu. Será que estava tão na cara que éramos um casal? Ou é norma daquele hotel – atento ao público homossexual – oferecer cama de casal quando os hóspedes são dois homens ou duas mulheres?

No total, ficamos em cinco hotéis no Japão. Placar: em dois, cama de casal; em três, camas de solteiro.

Aqui vale um lembrete: depois de 10 anos casados, dormir quatro ou cinco noites em camas separadas não é nenhum sacrifício. É até libertador. Revigorante.

Mas a viagem me convenceu do seguinte: casais gays podem e devem exigir camas de casal nos hotéis. E se tal exigência for negada, deve processar o estabelecimento.

Ok, se você prefere dormir em camas separadas para “manter as aparências”, o problema é seu. O que não podemos aceitar, de jeito nenhum, é o preconceito. Quando um hotel nega cama de casal para homossexuais está cuspindo na nossa cara, mostrando abertamente que não somos bem-vindos lá.

Ora, eu paguei! Tenho o direito de dormir ao lado de quem está comigo, como qualquer casal heterossexual. E se esse direito me é negado, devo subir no salto e soltar alguns palavrões bem cabeludos.

A época da mordaça acabou. Agora é partir pra cima e brigar pra valer com quem nos discrimina. Quer meu dinheiro? Aprenda a respeitar quem eu sou!

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