sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A esculhambação da arte

The Strokes: os salvadores do rock

Não entro em uma sala de cinema faz um bom tempo. Acho que desde 2007. De lá pra cá, vivo de download ilegal.

Assim como desisti de sair de casa para assistir a um filme na má companhia dos barulhentos “mastigadores de pipoca”, também não compro mais CDs há “séculos”. Nenhum. De artista algum.

Produtos culturais, para mim, viraram produtos descartáveis. Uso e jogo fora. Simples assim. Não sinto mais aquela necessidade infantil de guardá-los comigo, como fazia antes da popularização da internet. Devo ter uns 2 mil CDs encaixotados em algum porão escuro e empoeirado.

Acho até que se valoriza demais essa tal cultura: cinema, música, teatro, artes plásticas, literatura. Boa parte do que é produzido hoje é esquecível, dispensável, desimportante. Reflexo de uma época de produção cultural em massa, “democratizada”, onde todo mundo é “artista”/”criador” – ou quer ser “artista”/”criador”.

Pense bem: para cada obra realmente transformadora, há milhares de outras sem nenhum valor artístico, bobagens que não passam de embalagem. Afinal, qual a diferença entre um sabonete e Justin Bieber?

Esse barateamento das coisas resultou no hiperconsumo e na supervalorização do descartável, em que os produtos – culturais ou não – são programados para se tornarem obsoletos/imprestáveis em pouquíssimo tempo. Alguém aí ainda leva a sério o Strokes, banda que, dizem, salvou o rock no início dos anos 2000?

Assim é porque o mundo caminhou para isso. Jamais "fabricaremos" uma nova Madonna, um novo “Cidadão Kane” ou um substituto eficaz para o Fusca. Esse veloz sucateamento dos valores faz a gente trocar de ídolo/celular/ideologia como quem troca de cueca.

O download ilegal, por mais que alguns “artistas” resmunguem, evita gastos desnecessários com porcarias e, principalmente, o acúmulo de lixo cultural na estante. É resultado da própria desvalorização/esculhambação da arte.

De graça, não dói. Mas pagar e, depois de quase duas horas de tormento, perceber que assistiu ao pior filme da sua vida, ninguém merece!  E quantos filmes realmente valem o preço do ingresso, hein?

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