sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Hiroshima, nunca mais

Da série Crônicas Nipônicas

Parque Memorial da Paz, em Hiroshima

É impossível permanecer indiferente ao que aconteceu em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945 depois de visitar o Parque Memorial da Paz. Ali estão vários monumentos em homenagem às vítimas de “Little Boy” – apelido sarcástico que os norte-americanos deram para a bomba atômica lançada sobre a cidade japonesa durante a Segunda Guerra. Três dias depois, outra bomba nuclear, denominada “Fat Man”, explodiu sobre Nagasaki.

Estimativas indicam o número total de mortos em 140 mil, em Hiroshima, e 80 mil, em Nagasaki. Mas se forem contabilizadas as mortes posteriores, por exposição à radiação, esses números devem ser bem maiores. A maioria dos mortos era civil.

Cúpula Genbaku

A Cúpula Genbaku – ou Cúpula da Bomba Atômica –, situada a apenas 150 metros de onde a bomba explodiu, foi a estrutura mais próxima do hipocentro a resistir ao impacto. Depois de controvérsias sobre sua demolição, os japoneses decidiram manter as ruínas do edifício como um memorial do bombardeio. Em 1996, a estrutura virou Patrimônio Mundial da UNESCO.

No parque também há um monumento dedicado à menina Sadako Sasaki e a outras crianças que morreram devido aos efeitos radioativos da bomba. Na cultura japonesa, há um provérbio que diz que qualquer pessoa capaz de fazer 1000 dobraduras de papel (origamis) terá um desejo concedido. Hospitalizada com leucemia, Sadako dedicou seus últimos dias de vida a fazer os origamis. Morreu antes de finalizar as 1000 dobraduras. Fez 644. Seus amigos completaram o que faltava e enterraram junto com o seu corpo.

Globo mostra países que possuem bomba atômica

Depois de caminhar pelo belo e delicado parque, eu e JK entramos no Hiroshima Peace Memorial Museum. É ali que temos a exata noção dos estragos causados por uma arma nuclear. O museu mostra – sem concessões – como ficou Hiroshima e seus habitantes depois do ataque. É assustador. E o impacto daquelas cenas ainda vão permanecer na minha memória por longo tempo. Não há como descrevê-las. É preciso ir até lá para sentir o seu estômago revirar. Nunca senti tanto desprezo pelo ser humano e por sua arrogante e estúpida “inteligência” autodestrutiva.

É inconcebível que, depois do ataque norte-americano a Hiroshima e Nagasaki, alguns países ainda se orgulhem de possuir armas de destruição em massa. Para se ter uma ideia, a bomba atômica que arrasou Hiroshima tinha 12,5 quilotons. Hoje, existem ogivas com 550 quilotons.

Um dia, ainda seremos aniquilados pela nossa própria soberba. 


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