segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O humanóide "Made in China"

O ator Ashton Kutcher na SPFW

Li uma reportagem interessante na revista “sãopaulo” – a revista de domingo da “Folha”. Fala sobre réplicas de uma bolsa da grife de luxo Hermès, chamada Birkin.

Marcas brasileiras copiam descaradamente o design clássico da bolsa francesa, como fazem os chineses, mas aqui o truque é chamado de “releitura”, “homenagem”, “inspiração”. Nunca de pirataria, plágio ou roubo (de ideia).

Ok, não estou nem aí para a Hermès. Quem, como eu, vive de download ilegal e programas de computador piratas, não tem o direito de reclamar da “esperteza” alheia.

Não reclamo. Apenas constato: num mundo globalizado como o nosso, está se tornando cada vez mais difícil saber o que é original e o que é cópia; o que é autêntico e o que é falso. E isso se aplica também às pessoas.

Na sociedade do copy/paste e das aparências, quando todo mundo quer impressionar/engabelar todo mundo, quem pode garantir que o outro está se comportando com honestidade? Falando a verdade? Sendo ele mesmo? Vestindo, comendo, curtindo o que ele realmente gosta?

Complicado, não?

Essa nova espécie de humanóide “made in China”, feito com material vagabundo, não passa de cópia, mas engana. Pelo menos até o primeiro tombo, quando se quebra todo ao ser surpreendido, igual macaca de auditório, arrancando os cabelos diante do bonitão Ashton Kutcher na passarela da fashion week.

Assumir quem a gente é (demodê, brega, carnívoro), diante da opressão do “bom-gostismo” e do politicamente correto, é um risco que as pessoas parecem cada vez menos dispostas a correr.

Para que criar, se podemos copiar? Por que sermos nós mesmos, com nossos defeitos e limitações, quando podemos fingir que somos “cultos” e “descolados”?

O problema é que, de perto e sem maquiagem, nossa jequice logo se revela. 

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