segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Quando a chuva passar...

Chuva no Rio

O Brasil é o país da mesmice. Por aqui, as histórias se repetem e se repetem e se repetem até que a gente fique anestesiado, vencido pelo cansaço. Mais uma vez, a vítima da “chuva assassina”, espécie de serial-killer meteorológica, foi o Rio de Janeiro. [Resultado: mais de 600 pessoas mortas]. O Rio parou, submerso em água lamacenta e na incompetência do poder público.

A mesmice é uma chatice. E essa história de cidade alagada é mesmice que vem se repetindo com certa frequência nos últimos anos. Não sei você, mas eu já não me comovo com as imagens de carros arrastados pela correnteza, nem com o choro da dona de casa que perdeu fogão, geladeira e forno de microondas. Também deixei de ficar indignado com a falácia dos políticos. A mesma história, contada e recontada tantas vezes, perde a graça, o impacto, a surpresa. Que novidade há em casas despencando morro abaixo?

Outra vez, a mesmice invadiu o noticiário. Outra vez, assistimos às mesmas imagens de sempre. E, outra vez, como das outras vezes anteriores, quando a chuva passar, tudo voltará à normalidade. E nada, absolutamente nada, será feito para evitar a próxima tragédia, quando essa mesma história será contada pela enésima vez.

A mesmice é estratégia bem aplicada pelas raposas que comandam este país. É através da repetição que somos derrotados pela exaustão. Depois de tanto ver e rever, acabamos amortecidos, incapazes de reagir, acostumados com a desgraça dos outros, com a roubalheira do dinheiro público, com o lixo jogado nas ruas, com a violação dos nossos direitos e com a tal impunidade. O mal torna-se banal.

Não sei se existe algum antídoto para a mesmice. Sei apenas que outra chuva virá. E novamente seremos “surpreendidos” pelas circunstâncias. Afinal, como declarou o nosso [ex-] presidente [em 2010], "quando uma desgraça acontece, acontece". Fazer o quê?

PS. Escrevi esse texto em abril de 2010, quando a chuva arrasou Angra, no Rio de Janeiro. Será que irei republicá-lo no ano que vem?

Nenhum comentário:

Postar um comentário