terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Animal de estimação não é sofá velho

Canil da Universidade de São Paulo (Foto: Clara Velasco/G1)

Segundo Tibor Rabóczkay, do Programa USP Convive, responsável por cuidar de animais abandonados no campus da Universidade de São Paulo, no período de férias tem “fulano que viaja para a praia, abandona o animal, volta da praia, compra outro e, no próximo verão, abandona de novo.”

Por mais aterrorizante que seja esse relato de Rabóczkay para reportagem do portal G1, acredito, sim, que tem “fulano” que age dessa forma. Acredito porque sempre acreditei mais na maldade do que na bondade humana. O mal é descarado; o bem, quase sempre teatral, fingido, cheio de segundas intenções.

Tratar um animal de estimação como se fosse “objeto descartável” é de uma perversidade monstruosa. Não duvide: quem faz isso é capaz de atrocidades ainda piores. Matar a família e ir ao cinema, por exemplo.

Immanuel Kant, o filósofo, escreveu o seguinte: “Podemos julgar o coração de um homem pelo tratamento que dá aos animais”. Os “veranistas” que abandonam seu animal de estimação ao relento para ir à praia beber caipirinha nem merecem julgamento, muito menos o benefício da dúvida.

São culpados e ponto final. Merecem ir para o quinto dos infernos comer o pão que o Diabo amassou!

Resta saber: o que move “fulano” a adquirir um animal para depois simplesmente abandoná-lo? Por mais que eu tente, não consigo encontrar uma resposta racional para essa questão. Se “fulano” não curte ter um animal de estimação em casa, ok, não tenha. Mas por que comprar (ou adotar) um, alimentá-lo, abrigá-lo, para depois jogá-lo fora? Que falta de compaixão é essa que rejeita um ser vivo como se fosse um sofá velho?

Maldade, pura maldade. Nada mais que maldade. A maldade natural do ser humano que a gente sempre prefere fingir que não existe.

Na época de férias, dobra o número de animais abandonados na rua. “Fulano” quer viajar, quer ir para a praia com sua "família feliz", e o bicho de estimação se torna um “estorvo”, um “problema” a ser resolvido. Solução: foda-se o animal!

Juro que se esse “fulano” passasse na minha frente, eu atropelaria. Seria apenas um imbecil a menos no mundo. E sem esse imbecil, o mundo, com certeza, seria um lugar um pouco menos cagado.  

3 comentários:

  1. Assino embaixo e ajudo a atropelar essa gentalha asquerosa que abandona animais.

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  2. Assino embaixo também , mais antes de atropelar o maldito encho ele de porrada.

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  3. Bem, acho inocência pensar nos termos bondade ou maldade humana. A dimensão humana é muito maior que simplesmente resumível a estes polos diametralmente distintos e socialmente paradoxais. Isto é resultado do processo em voga, que a moda se insere, de pulverização, de que tudo que é sólido desmancha no ar. É o império do efêmero, como diria Gilles Lipovetsky e Marx, de fetichização, ou melhor, reificação do humano, ou seja, coisificação. Não me espanto com uma notícia destas. E concordo com o absurdo que isso é, do ponto de vista moral. Apesar de criticar, concordo com o desespero do escriba.

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