segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Esse mundo existe?

Lázaro Ramos e Camila Pitanga em "Insensato Coração"

“Solteiro e bem-sucedido, André Gurgel é o mais badalado nome do design no Rio. [...] Arrojado, seguro de si no trabalho e na cama. Seu único pudor é nunca transar mais de uma vez com a mesma mulher. Não se envolve afetivamente, mas não é cafajeste, nem machista, pois nunca mente: trata as mulheres de igual para igual, sem falsas promessas de amor para seduzir. [...] Pouco simpático à primeira vista, muito narcisista e arrogante, mas não egoísta. [...] É franco sempre, no sexo, no trabalho e na vida.”

André Gurgel é interpretado por Lázaro Ramos na novela “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Esse perfil do personagem está no site do folhetim global. Não é cafajeste nem machista? Hum, sei não. Mas não é disso que quero falar.

Estamos no Brasil, a novela se passa no RJ e em Florianópolis. Mas André parece viver em “outro planeta” – um “planeta” bem mais civilizado e evoluído, diga-se de passagem. Lá, não existe preconceito racial. André é negro. Mas ninguém percebe, ninguém está nem aí para esse “detalhe”. Muito pelo contrário. As mulheres (todas) babam por ele.

Em “Paraíso Tropical” (2007), esses mesmos autores mostraram um casal gay interpretado por Carlos Casagrande e Sérgio Abreu. Assim como a negritude de André, a homossexualidade dos personagens Rodrigo e Tiago era “invisível”. Na época, Sérgio Abreu descreveu assim o casal: “Eles são completamente aceitos por todos a sua volta.”

Seria sensacional se, do lado de cá da telinha global, isso fosse verdade. Não é. O Brasil está longe de superar seus preconceitos. Mas Braga e Linhares, ao que parece, preferem ignorar qualquer discussão/reflexão a respeito e optam pela solução mais preguiçosa: apresentar ao público personagens "de mentira".

Fingir que não existe racismo e homofobia no Brasil apenas contribui para que racistas e homofóbicos continuem impunes. É empurrar para debaixo do tapete séculos de discriminação. Fazer de conta que não somos mais atacados pelos "selvagens".  

André Gurgel é negro. Mas podia ser branco, amarelo, verde ou cor-de-rosa. Ninguém, em “Insensato Coração”, notaria a diferença. Esse mundo existe? 

4 comentários:

  1. Pois é. Se a novela tivesse um tom surrealista ou coisa assim, vá lá. Eu não vejo essa novela (só vejo novelas do João Emanuel Carneiro), mas sei que o tom é naturalista, então parece que estão de sacanagem. Também acho que fingir que não existem essas coisas só as reforça.

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  2. em minha humilde opinião, acho que esse é um ponto de vista sem sentido. o que a novela está tentando mostrar é que: seja negro, Branco, Pardo, Azul, Amarelo, Gay, Lesbica. não há diferença nenhuma se tratando de humano. é esse o verdadeiro objetivo.

    pelo contrario, falar de racismo é o que vai fazer com que as pessoas tenham mesmo. nas escolas vocês já aprende sobre o racismo.

    quanto mais se fala de uma coisa, mais ela vai se propagar. porque se você acredita que o racismo realmente existe então ele vai existir, porque você acredita nele e não na pessoa.

    se você não tivesse aprendido na escola o que é o racismo. então ele nunca existiria. você ia aprender na própria vida.

    o fato de você ter expressado esse ponto de vista.

    é porque isso deve te incomodar muito.
    você percebeu que aquela não é a realidade.
    ou talvez esteja um pouco frustrado ou não.

    mas eu vou falar mais uma coisa,

    neste mundo não existe mais nenhum tipo de preconceito: seja social, "racial" ou "sexual".

    existe apenas duas coisas: O Forte e o Fraco.
    aqueles que tem Poder e aqueles que não tem.

    fracos não são os que não tem poder.
    fracos são os que dizem que são fracos
    e que se deixam abater por qualquer coisa pequena como todo tipo de preconceito.
    ;)

    Diego Darlan

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  3. Diego, acho incrível que tenhamos o primeiro galã negro da TV brasileira. É um avanço e tanto! Mas dizer que "neste mundo não existe mais nenhum tipo de preconceito" é, no mínimo, ingênuo da sua parte. Abs.

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  4. marcos, eu até entendo o seu ponto de vista.
    e você falou algo que mim fez reavaliar o meu conceito.
    "é incrível que tenhamos o primeiro galã negro da TV?"
    você realmente acha que isso é algo incrível?
    antes mesmo do fim da Década de 2000 um país
    onde a maioria da população não são de negros.
    eleva ao Topo o primeiro presidente negro do Estados Unidos.
    isso foi realmente muito incrível. agora em pleno 2011,
    começo da década de 2020, brasileiros ainda tem esse tipo de preconceito.

    nenhum tipo de preconceito faz sentido.
    o preconceito não está no sucesso.

    AS PESSOAS MANDAM NO MUNDO.
    as pessoas inventam as palavras!
    assim como como inventam os preconceitos.

    não é muito dificil entender porque poucas pessoas chegam no topo,
    você há de concordar que pessoas que tem esse tipo de
    ideologia dificilmente chegam há algum lugar.
    pode ver.. investigue... que você irá encontrar,

    pergunte o nome de uma só pessoa que tenha esse tipo de pensamento e veja primeiro quem ela é.
    e onde ela foi capaz de chegar.
    no mínimo é um perdedor infeliz e incapaz de ter idéias próprias,
    e para saciar seu complexo de inferioridade que ele mesmo conquistou,
    inveja a DETERMINAÇÃO e a CORAGEM que certas pessoas
    tem de dar a volta por cima e conquistar respeito e admiração
    nesta sociedade suja e corrupta que o brasil tanto almeja.

    esse mundo é muito maior do que pensamos.
    numa sociedade evoluída nenhum tipo de preconceito existe,
    porque eles tem uma visão que vai muito além de posição social, cor e sexo.

    e você está certo.
    O preconceito existe! mas na cabeça das pessoas.

    Diego Darlan

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