quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Gosto do granizo que amassa o capô do carro

Raios em São Paulo

A gente continua falando sobre o clima como se falar sobre o clima ainda fosse assunto desimportante, papo ligeiro de elevador entre dona Dulcinéia do 62 e dona Judicéia do 45. “Que calor, hein?”. “Demais. E essas tempestades alagando tudo, menina?!”. “É... o tempo está maluco”.

Sim, o tempo está maluco. E a culpa é nossa. Se o calor está não sei quantos graus acima da média, se chove em duas horas o esperado para o mês todo, a culpa é dessa nossa arrogância burra de achar que podemos exaurir e poluir o planeta ao deus-dará.

Dois estudos recentes publicados na revista “Nature” comprovam o óbvio: a presença na atmosfera de gases de efeito estufa, originados pela ação do homem, aumenta significativamente a probabilidade de ocorrer tempestades.

Explicação simples e direta: ao contribuírem para o aumento da temperatura do planeta, esses gases levam a um acúmulo maior de vapor d’água, que se transforma em chuva.

É o planeta reagindo ao nosso descaso, bombardeando nossas cabeças com pedregulhos de gelo, “secando” a Amazônia, alagando cidades-favelas mal planejadas.

Gosto do granizo que amassa o capô do carro do sujeito preso no congestionamento. Bem feito! Até quando vamos fingir que os congestionamentos se “criam” sozinhos? Esse “monstro” urbano só existe porque há excesso de carros na rua. E há excesso de carros na rua porque os utilizamos até para ir à padaria.

Não seria mais inteligente, por exemplo, ônibus escolares do que “As Odetes” lipoaspiradas estacionando seus automóveis em fila dupla para deixar seus rebentos loirinhos na porta escola?

É saco de lixo boiando nas enchentes, é esse transporte público de merda, é discutir se Dilma deveria ir ou não à festa de 90 anos da “Folha” (enquanto árvores desabavam em São Paulo), é nem ligar para o aumento do desmatamento, é consumir bugigangas e mais bugigangas e, depois, jogá-las fora como se fossem desaparecer num passe de mágica.

Tudo isso tem consequências. E se é verdade que “aqui se faz, aqui se paga”, prepare-se para pagar muito caro por ignorar os "avisos" da Mãe Natureza. Talvez, você não. Mas seus filhos e netos, os "herdeiros" de um planeta devastado.

Para quem acha que estou "fazendo tempestade em copo d'água", cuidado: você pode ser a próxima vítima da tempestade que vem aí.   

Um comentário: