segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Lea T não é "cabide"

Lea T e Kate Moss na "Love Magazine"

Foi um soco no estômago a entrevista da transex Lea T para a repórter Renata Ceribelli no “Fantástico” (20/02).

Ao dizer que não vê “lado bom em ser transexual”, a modelo expôs com crueza e honestidade surpreendente algo que, na maioria das vezes, passa despercebido: “Nós amputamos o nosso corpo. É uma coisa muito forte [...] Eu sou penalizada em tudo. Não é uma coisa gostosa. Você tem que levar para o lado do transexualismo em si: remédios, terapias, operações e preconceito”.

Por trás do glamour e da ligeireza desumana da moda, há Lea T, em carne viva, revelando a quem se dispuser a ouvir o lado sombrio/doloroso do transexualismo: distúrbio extremo de identidade de gênero que os ignorantes/intolerantes ainda vêem como “safadeza”, “pouca vergonha”, “pecado”.

A moda fez de Lea T celebridade planetária. Mas Lea T não deve ser vista apenas como mais um subproduto passageiro da moda. A cada entrevista, a transex brasileira mostra que está acima do oba-oba fashion, das tendências, do vazio existencial das “gazelas saltitantes” da fashion week.

Lea T não é “cabide”. É sensibilidade à flor da pele.

Com o assédio, poderia deslumbrar, subir no salto e tagarelar bobagens como tantas meninas bobas que desfilam pelas passarelas da moda.

Lea T prefere manter os pés no chão e usar sua imagem e fama para reivindicar o seu lugar no mundo. O lugar dela e de outras transexuais: “Eu quero falar que nós existimos”.

Tá falado, Lea. 

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