quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Nós não vamos pagar nada

Cena do filme "Um Grande Garoto", baseado no livro de Nick Hornby

No livro “Um Grande Garoto” (About a Boy), do britânico Nick Hornby, o protagonista Will Freeman leva uma vida de playboy. Nunca trabalhou. Vive do dinheiro vindo dos direitos autorais de uma antiga canção natalina composta por seu pai.

“Um Grande Garoto” foi lançado em 1998. Na época, ainda fazia sentido um personagem como Will. Hoje, acho que não mais.

O mundo mudou e o direito autoral virou bate-boca. De um lado, os detentores do direito, que tem o legítimo direito de brigar pelo que é seu. Do outro, os consumidores de cultura, que não estão mais a fim de pagar por nada.

Quem vai vencer essa disputa?

Óbvio que são os usuários. E nem adianta Caetano esbrajevar contra os internautas. On-line ou off-line, daqui pra frente qualquer lei que tente censurar o acesso livre ao conteúdo disponível será burlada.

Em vez de ficar “enxugando gelo”, tentando fazer o mundo girar para trás, mais inteligente é buscar formas de se adequar ao presente e, principalmente, ao futuro. Alguém acredita que, lá na frente, essa molecada que já nasce wireless vai se importar com direito autoral?

Dêem opções viáveis e justas, e talvez as pessoas voltem a pagar. Bobagem é fazer uso da “força” e de discursos ultrapassados para impedir o avanço da história. Aí, é pedir pra ser sacaneado, combatido, desrespeitado.

Quem acha que ainda pode viver como Will Freeman, melhor rever os seus conceitos. A vaca está indo pro brejo. E, para salvá-la, é preciso inovar/reaprender. Caso contrário, vai ficar onde está, feito doido de hospício, falando pra ninguém.  

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