sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O amor é cafona

Da série Crônicas Nipônicas

Corações apaixonados no alto do Umeda Sky Building

Em Osaka, a terceira maior cidade japonesa, tem um arranha-céu chamado Umeda Sky Building, com 173 metros de altura e desenho arquitetônico imponente.

O prédio é aberto para visitação pública.

Ao chegarmos no alto do edifício, depois de subir pela “maior escada rolante do mundo”, eu e JK percebemos que o lugar é espécie de “cantinho dos enamorados” nas alturas.

Havia vários casais. Alguns sentados em bancos duplos, abraçados, de mãos dadas, curtindo a paisagem negra de Osaka em clima “love in the air”.

Um andar acima, no topo do prédio, há um espaço, com um coração iluminado por luzes vermelhas, onde os casais se fotografam. Os mais românticos podem comprar pequenos cadeados no formato de corações, com seus nomes grafados, e pendurá-los ali.

Há algo mais cafona que isso? Sim, sempre há. Mas o amor é essencialmente cafona. Se não for cafona, não é amor. É enganação.

A gente até tenta segurar a onda, posando de “moderninho não tô nem aí para esse papo de solidão a dois”. Mas quando o amor bate, amigo, não há como resistir ao “kit-fofura”: pôr-do-sol à beira-mar, jantarzinho à luz de velas, apelidos carinhosos.

E se você acha o amor de Sid e Nancy menos cafona por causa da trilha sonora punk, está sendo, no mínimo, ingênuo. Na essência, é o mesmo amor romântico e trágico que levou Romeu e Julieta às últimas consequências.

Não. Eu e JK não compramos o cadeado no formato de coração para marcar nossa visita ao Umeda Sky Building. Mas não me envergonharia se tivesse comprado. Quem se envergonha por amar é porque nunca amou de verdade. 

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