quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A brutalização da infância

Deixem as crianças serem crianças!

No Paquistão, um menino de 12 anos entrou numa instalação militar, detonou os explosivos que trazia no corpo e matou cerca de 31 pessoas, ferindo outras 20.

Nos Estados Unidos, uma empresa de cosméticos lançou um creme anti-idade para meninas entre 8 e 12 anos.

Aparentemente, essas duas notícias – ambas assustadoras! – não têm nada a ver uma com a outra. Mas, como a gente bem sabe, as aparências enganam. Nos dois casos, há, sim, um denominador em comum: a infância.

Cadê as melecas no nariz? O “bigode de groselha”? A travessura de subir em árvores sem medo de cair? Andar descalço, nem pensar! Exterminaram os piolhos?

É perturbador perceber que, cada vez mais, “roubamos” o precioso tempo das crianças. Tempo que as crianças deveriam ter para serem apenas crianças.

É o mundo assombrando pela ideia do fracasso. É preciso encurtar a infância dos pequenos a fim de prepará-los para a batalha futura, onde só os melhores e mais bonitos vencem, onde quem não aprendeu a competir “custe o que custar” está fodido. Aula de inglês. Aula de judô. Aula de como “esmagar a cabeça do adversário”.

Ok, você acha fofa a mini-dançarina de axé descendo na boquinha da garrafa. Acredita que a maldade está nos olhos de quem vê. E não acha nada demais uma garotinha de 8 anos usar creme anti-idade. Melhor prevenir (o envelhecimento) que remediar.

E quando um menino de 12 anos vira um menino-bomba? Você também acha fofo?

Tenho medo, tenho muito medo dessas crianças que se comportam como adultas, “preocupadas” com beleza, moda, obesidade, alimentação saudável.

Criança “consciente” não é criança.

Criança brinca, bagunça, sonha, esperneia, faz de conta, se lambuza, acredita que o mundo é um lugar encantado, cheio de seres mágicos.

Estão brutalizando a infância. Adiantando o natural e saudável processo de amadurecimento de meninos e meninas. Será por isso que vemos tantos adultos infantilizados e neuróticos por aí? 

Pense nisso antes de achar fofo o rebolado erotizado da mini-dançarina de axé.
   

2 comentários:

  1. Marcos, e tem mais essa:

    http://www.nytimes.com/2011/02/10/business/global/10manga.html?_r=1&scp=2&sq=manga&st=cse

    Concordo plenamente contigo!

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  2. É uma pena que muitos adultos ignorantes não tenham tempo nem inteligência suficiente para ler o que você escreveu!

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