domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pau mole: o ícone do pós-sexo

Promessa de felicidade?

Logo que comecei a tomar o antidepressivo Exodus, meu pau pifou. Pela primeira vez na vida, senti que “ele” não subiria de jeito nenhum. Nem com reza brava. O psiquiatra me avisou que o remédio retardaria a ejaculação. Até aí, tudo bem. Mas não falou nada sobre “impotência” e libido zero.

É uma sensação assustadora. De falência moral. De deixar qualquer homem borocoxô, arrasado, "menos macho". Afinal, para que serve um pau mole? A experiência me tornou solidário àqueles que sofrem de disfunção erétil. 

Foi aí que, navegando pela internet, encontrei um poema da Maria Rezende intitulado exatamente “Pau Mole”. O poema é uma divertida e particular visão feminina sobre o órgão sexual masculino em “recesso”, "fora de combate". Para a poeta, “um pau mole é promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido” e "o ícone do pós-sexo". 

Genial, não? Nunca tinha pensado em um pau mole sob essa perspectiva.     

PAU MOLE
Maria Rezende

Adoro pau mole.
Assim mesmo.
Não bebo mate
não gosto de água de coco
não ando de bicicleta
não vi ET
e a-d-o-r-o pau mole.
Adoro pau mole
pelo que ele expõe de vulnerável e pelo que encerra de possibilidade.
Adoro pau mole
porque tocar um pressupõe a existência de uma intimidade e uma liberdade
que eu prezo e quero, sempre.
Porque ele é ícone do pós-sexo
(que é intrínseca e automaticamente
– ainda que talvez um pouco antecipadamente)
sempre um pré-sexo também.
Um pau mole é uma promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido.
É dentro dele,
em toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar,
que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.

2 comentários: