segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Que dor é essa?

Automutilação

No filme “Cisne Negro”, Nina (Natalie Portman) fere o próprio corpo: arranca as unhas e arranha as costas até sangrar. A personagem parece fazer uso do autoflagelo para se livrar dos sentimentos ruins que a perseguem.

Na automutilação, em geral praticada por adolescentes e jovens adultos, o objetivo não é o suicídio, mas aliviar sintomas de angústia e depressão. Esse comportamento extremo também indica personalidade borderline, distúrbio caracterizado por alta impulsividade e dificuldade de relacionamento.

Atente para o que dizem três jovens ouvidos pela reportagem da “Folha”: “Parece que quando o sangue sai, sai tudo”; “Tenho medo de algo dar errado. Aí me corto“; “Eu saía à noite, transava com outros caras e aí me sentia culpado”.

Que tamanho tem essa dor que faz meninos e meninas cortarem a si mesmos em busca de alívio?

Que dor é essa que morde a gente por dentro?

Como se livrar de uma dor que a gente sabe que existe e sente e amaldiçoa e vivencia, mas que é invisível para os outros?

É dor que dói no escuro, em silêncio, no anonimato, escondida sob as mangas de quem retalha a própria pele para suportá-la. Dor que sequestra os ânimos, sabota as alegrias, suga a nossa vitalidade.

Antes, eu guardava essa dor só pra mim. Acho que tentava asfixiá-la um pouco a cada noite mal dormida. Não funcionou. Hoje, eu prefiro expô-la ao mundo, deixar essa dor vagar por aí. Um dia, quem sabe, ela se perde de mim.

3 comentários:

  1. Putz, adoro seu blog. Não que eu seja idiota.Muito menos feliz...Mas me encantei por seus escritos talvez por que tenhamos algo em comum. O Exodus. Não tenho depressão, tenho problemas de pânico, sabe como é? É tipo matar um leão por dia.
    E que o Exodus nos proteja, amém.
    No meu último post falo um pouco do assunto, se quiser... www.lulunaodorme.blogspot.com
    AbraSSo

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  2. Isso não é dor, é mágoa, ressentimento... ódio de si mesmo, na maioria das vezes por motivos incompreensíveis. Não é uma conduta reprovável, pelo contrário, devemos acolher aqueles que o sentem (o ódio), devemos nos acolher caso o sintemos. A automutilação, muitas vezes, é uma forma de sentir que não há mais débitos a serem pagos ante o cumprimento da penalidade imposta pela culpa, uma culpa intrínseca a própria existência. Por isto, o alívio. O melhor seria nos perdoarmos um pouco a cada dia, sendo menos críticos e severos, e nos aceitarmos mais como somos, bem como o mundo ao nosso redor, por mais patético que seja. Esta é a nossa realidade, o que se tem de objetivo, o melhor é aprender a viver com suas mediocricidades (que são fases) do que inventar novas "pseudo-realidades" com passaportes mágicos para a terra da fantasia, em que tudo era somente uma vez na cidade fantasma do faz-de-conta. Não tenha tanto ódio do mundo que te cerca... nem de si mesmo. A felicidade não é um conceito industrializado sob o rótulo de tarjas, do qual a sociedade moderna pretende a qualquer custo "alcançar" sem ao menos ter noção do que é. Para nós, ocidentais a felicidade é somente uma palavra, que inspirou inesgotáveis retóricas de discurso vazio. Entender a mente, e como a energia flui em nosso corpo é o primeiro passo para sair desse labirinto: talvez seja esta a melhor definição para essa tal felicidade. Procure a acunpultura sim, procure o ioga a meditação, mas seja perisistente, não são qualquer remédio, são práticas, e todos os efeitos só ocorrerão caso haja sua anuência, e não de forma colateral. Tente, garanto que não vai se arrepender. Ademais, já passei por algo parecido, a persistência é constante mas nunca a mesma, mas não é luta, pra quê lutar contra si mesmo?
    Tudo de bom, namastê.

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