sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sua vida não é sua

Michael Bloomberg, prefeito de Nova York

Entenda de uma vez por todas: sua vida não é sua. É do Estado, dos poderes estabelecidos. E, para persuadi-lo de que é necessário cada vez mais vigiar o que você faz e quem você é, o Estado utiliza eficazes métodos de convencimento: as estatísticas e os estudos científicos.

Repare na explicação de Michael Bloomberg, o prefeito de Nova York, ao estender a proibição de fumar para parques e praias da cidade: “A ciência é clara sobre o tema: uma exposição passiva prolongada à fumaça de cigarro, seja no interior ou no exterior de um local, prejudica a saúde.”

O esperto prefeito nova-iorquino se apoia na ciência para validar o seu decreto. Ele sabe que ninguém é besta de contradizer o que afirma a ciência sem parecer leviano. Dessa forma, deve ter conquistado a simpatia dos "saudáveis". 

Vivemos sob espécie de “autoritarismo científico”. Em nome da ciência, abdicamos (ou somos obrigados a abdicar) dos prazeres da vida. E, assim, a vida vai ficando insuportavelmente chata: sem cheiro, sem cor, sem gosto.

Bons tempos aqueles em que o nosso maior temor era ir para o inferno. Hoje, vivemos assustados, com medo do câncer, da obesidade, do aquecimento global. Tudo culpa da ciência e dos levantamentos estatísticos.

Pra piorar, dizem que “contra números não há argumentos”. 

Se você ainda acredita em autonomia e liberdade de escolha, resta assumir o risco, enfiar o pé na jaca e, como os fumantes e os gordos, viver na marginalidade.

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