sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Quem é você pra me rotular?

Thom York no clipe de "Lotus Flower"

O Radiohead lançou “The King of Limbs” nesta sexta-feira (18/02). Logo, o Twitter foi invadido por comentários irônicos sobre a banda e sobre a dança-espasmo do Thom York no clipe da canção “Lotus Flower”.

Concluí: ninguém é inocente ao curtir Radiohead.

Aos olhos dos outros, somos sempre “algo” porque gostamos disso ou daquilo, porque agimos dessa ou de outra maneira, porque pensamos assim ou assado sobre tal assunto.

São nossas ideias, nossas atitudes, nossas escolhas, nossos hábitos que nos definem – para o bem e para o mal.

Deve ser por isso que as pessoas costumam esconder, por exemplo, que assistem ao “Big Brother Brasil”. Medo de serem taxadas de “imbecis” e “fúteis”. E deve ser por isso que essas mesmas pessoas adoram espalhar por aí que frequentam algum “lugar da moda”. Querem parecer “cool”.

Nesse mundo de aparências, somos sempre 4 em 1. Sim, acho que existem quatro versões de nós mesmos:

1) Eu – ou quem eu acho que sou
2) Eu – brigando contra o que eu sou
3) Eu – querendo parecer quem eu não sou
4) Eu – segundo a opinião dos outros

Essas quatro versões de nós mesmos estão em constante conflito. É a tal da complexidade humana que a gente, por falta de tempo e paciência, acabou abreviando em generalizações burras.

Em vez de tentar compreender quem somos e o que queremos, é muito mais simples dizer que fulano é isso porque é ou fez ou gosta daquilo. Mas quem foi que decretou que todo mundo que curte Radiohead é hipster?

Não cabemos em 140 caracteres. Nenhum de nós. 

Se nem eu sei quem eu sou direito, quem é você pra me rotular?

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PS. Qualquer disco do Radiohead, por pior que seja, ainda é melhor que 90% das coisas que têm por aí. 

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