domingo, 20 de março de 2011

De 0% a 100%: quanto gay você é?

Michael Stipe

Em entrevista para o jornal “The Observer”, Michael Stipe, o vocalista do REM, afirmou que é 80% gay. Ele se recusa a usar o termo bissexual: “Não parece apropriado”.

Entendo Stipe. Bissexual dá a entender que a pessoa é 50/50, meio a meio, que sente atração igual por ambos os sexos. E nem sempre é assim.

“Eu definitivamente prefiro homens às mulheres”, disse Stipe, explicando porque se define como 80% gay e prefere usar uma escala percentual para definir sua sexualidade.

Taí algo genial vindo de um artista genial. O REM acaba de lançar mais um disco primoroso: “Collapse Into Now”, que mostra que a banda está em ótima forma.

Reconheço, claro, a existência da bissexualidade. Mas, sei lá, num primeiro momento sempre desconfio de quem se define como bissexual. Acho que algumas pessoas, ainda inseguras sobre sua sexualidade, o fazem para parecerem “menos gays”. E isso me incomoda um pouco.

É como se 10% de suposta heterossexualidade fosse capaz de salvá-las do "fogo do inferno", de mantê-las longe da "turma dos maricas". 

Umberto Veronesi, renomado cientista italiano, fez barulho um tempo atrás ao afirmar que, no futuro, todos seremos bissexuais: “O homem está perdendo suas características e tende a se transformar numa figura sexualmente ambígua, enquanto a mulher está se tornando mais masculina. Dessa forma, a sociedade evolui para um modelo único".

Tomara que sim. Tomara que os gêneros se dissolvam de uma vez e a gente vire uma “coisa só”. Mas, enquanto esse futuro não chega, que tal usarmos a escala de Stipe para definir quem realmente somos?

Pense bem antes de responder: de 0% a 100%, quanto gay você é? 

2 comentários:

  1. Confesso que estou cavando seu blog há horas. Cheguei nessa publicação e senti vontade de comentar. Adorei seus textos, adorei os assuntos, adorei tudo. Cheguei até aqui pesquisando "Êxodus/Enxaqueca/Depressão", mas encontrei nesse blog muito mais do que uma recomendação de remédio.
    Você fala sobre bissexuais e diz que desconfia de primeiro momento... Fiquei brava. Mas aí percebi que tem nexo. Detesto ter que me "identificar", mas às vezes é necessário. Já fui hétero por que achava que era o correto, já me disse bisexual quando percebi que era bobeira esconder esse desejo pelo mesmo sexo, me vi pansexual quando percebi que não gosto das pessoas baseado no que elas têm no meio das pernas, hoje gosto de dizer que sou sexual. Mas eu já senti e ainda sinto vergonha de me dizer bisexual (às vezes recorro a esse termo por que tem gente que não entende o que é ser pan). Já conheci muito bi que só queria se aparecer. Já conheci muito bi que na verdade era gay, mas pra parecer "menos" alienígena e ao mesmo tempo não esconder que gosta do mesmo sexo se dizia bi. E já fui condenada inúmeras vezes por assumir quem sou, o triste é que não é só pelos heterosexuais, mas muito também pela comunidade LGBTT. Enfim, depois desse desabafo sem nexo, queria dizer que já te admiro pela sua força e por não ter vergonha de dizer quem é. Além disso, queria te elogiar pelos seus textos, são ótimos!

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    1. abaixo ao gênero. abaixo aos rótulos. somos todos "pan", somos tudo ao mesmo tempo agora. Bem-vinda ao blog. bj.

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