quinta-feira, 17 de março de 2011

Adolescência, suicídio e homossexualidade

Bullying homofóbico

Para 2011, tenho uma sugestão de tema para quem organiza a Parada Gay de São Paulo: “Adolescência, Suicídio e Homossexualidade”.

Sei que o tema é pesado, sombrio, polêmico. Nem combina com o oba-oba carnavalesco em que se transformou a Parada. Mas acho que precisamos dar mais atenção aos garotos que fazem sexo com outros garotos e ainda não “aprenderam” a lidar com isso.

Alguns são expulsos de casa. Outros são “torturados” por colegas de escola. Muitos pensam em suicídio e acabam, de fato, “resolvendo” a questão cortando os pulsos.

Quem é gay e já passou dessa fase sabe: a descoberta da homossexualidade pode ser traumática. Por vários motivos. O principal, acho eu, é a sensação de exclusão, de sentir nojo de si mesmo, de achar que não pertence a esse mundo que o discrimina.

Já escrevi sobre isso no post Jovens, envelheçam!

Volto ao tema porque li sobre uma pesquisa realizada pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo que apontou que um em cada três jovens está assumindo sua homossexualidade antes dos 15 anos. É uma boa notícia. Mostra que parte dos meninos está mais consciente sobre sua orientação sexual e, talvez encorajada pela maior visibilidade alcançada pela comunidade LGBT nos últimos anos, sente-se mais à vontade para “sair do armário” cada vez mais cedo.

Mas e os outros? A maioria que não se sente segura para se assumir e continua vivendo “entre a cruz e a espada”? É para esses que devemos exigir políticas públicas capazes de salvá-los da “solução final”.

No ano passado, o “Profissão Repórter”, da TV Globo, contou a história de Iago, menino de 14 anos que sofria de bullying homofóbico. Não suportou a pressão de ser agredido física e verbalmente pelos colegas de escola...

Como Iago, vários outros garotos, ainda sem maturidade para enfrentar a discriminação, são maltratados por serem homossexuais. Por isso, é preciso conscientizar pais & professores, pessoas que transitam ao redor desses meninos, e nem percebem que podem se tornar coautores de uma tragédia familiar.

Conscientizá-los do óbvio: o preconceito mata. E quem fecha os olhos para esse fato tem responsabilidade sobre cada inocente que perde a vida apenas por ser gay. Pense nisso.  

Um comentário:

  1. Quando eu era adolescente, eu assisti uma reportagem, onde o entrevistado,gay assumido, abordando o tema disse: " Na hora de dar um passo, verifique o chão em que pisa",foi o que fiz e faço até hoje, claro que erramos as vezes, mas a cautela é sempre positiva em todas as situações...
    Antes de assumir a homossexualidade, o cara tem que observar o meio em que vive, se não for propício, não precisa demonstrar e se assumir, dá pra viver de boa sem assumir sua homossexualidade.

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