segunda-feira, 21 de março de 2011

Analfabetos bem-vestidos

Consumismo

Deu no “Fantástico”.

Segundo pesquisa da Federação do Comércio (Fecomércio), a família brasileira está gastando mais com vestuário que com educação: 6% da renda vão para as roupas e 4% para o ensino.

Ok, pelo menos seremos analfabetos bem-vestidos. Nada mal para um povo que, até um tempo atrás, era chamado de “descamisado”.

É óbvio dizer, mas vou dizer assim mesmo. Qualquer estudo sério indica relação entre ensino e desenvolvimento. Países como Estados Unidos, Japão, Canadá e Coreia do Sul, por exemplo, têm em comum, além da força econômica e da melhor distribuição de renda, o investimento pesado na instrução de seus cidadãos.

Levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) indica que cada ano de estudo representa acréscimo de 16% no rendimento mensal. E, se a pessoa completar o curso superior, recebe, em média, salário 168% maior que aqueles que não foram além do ensino médio. Uma população com mais anos de estudo tende a cuidar melhor da saúde e a cometer menos crimes. Torna-se, enfim, mais civilizada.

Como se vê, educação – de preferência, com qualidade – é condição essencial para o desenvolvimento do Brasil. Mas...

Bem, a reportagem do “Fantástico” preferiu tratar do assunto com ligeireza, apresentando um punhado de mulheres obcecadas por roupas, bolsas e sapatos – e nada acrescentou ao tema. Ou será que gastar mais com vestuário que com ensino é algo “normal”, que não merece nenhuma reflexão?

Já escrevi em outro post: “ter TV de plasma, computador e geladeira duplex em casa não educa ninguém. Comprar carro 0 km em 64 prestações não faz o sujeito mais gentil e silencioso. Ter dinheiro para uma sessão de cinema semanal não é suficiente para ‘adestrar’ os brutos”.

O mesmo vale para quem prefere “se vestir bem” em vez de se educar melhor. De que adianta ter um guarda-roupa lotado de roupas bonitas enquanto a cabeça continua vazia de ideias? Se ainda sobrou algum neurônio vivo aí, pense nisso.

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