domingo, 27 de março de 2011

As Odetes e o "Esquenta"

Regina Casé no "Esquenta"

Queria ser uma mosca-espiã voando na sala de estar das Odetes só pra ver a reação delas se, por acaso, estivessem assistindo ao programa “Esquenta”, da Regina Casé.

A “gentinha marrom” está toda lá. Ou melhor: estava. O programa, uma das boas surpresas de 2011, encerrou sua primeira temporada neste domingo, 27 de março.

Disse certa vez que não gosto muito da Casé. Mudei de opinião. Talvez ela seja a única apresentadora capaz de fazer a ponte entre o Brasil “moreno escuro” (né, deputado Júlio Campos?) e o Brasil das Odetes, sem desrespeitar nem um nem outro.

Regina Casé é do povo. E o povo adora Regina Casé. A apresentadora sabe transformar em entretenimento com qualidade acima da média questões sociais que, em outras atrações, são tratadas com mero assistencialismo oportunista (“Caldeirão do Huck”, “Programa do Gugu” e congêneres).

No “Esquenta” não há esse apelo. O clima é de “Buzina do Chacrinha”. É uma celebração bem humorada à alegria popular e com tudo junto e misturado. Em que outro programa você veria o Rodrigo Santoro cantando com o Exaltasamba e o pagodeiro Belo sendo entrevistado com o devido respeito?

Como escrevi lá primeiro parágrafo, queria ser a tal mosca-espiã. Queria ver a cara de nojo das Odetes, essas mulheres que têm horror à pobre e que acham chique assistir aos programas do GNT sobre beleza, alimentação saudável, boa forma e moda.

Sei não, mas acho que as Odetes devem odiar a Regina Casé, essa apresentadora abusada que insiste em mostrar para o Brasil um Brasil que as Odetes insistem em não enxergar. Que Brasil é esse? Baixe o vidro do seu carro importado e olhe pra fora. Os "excluídos" estão lá, com toda sua feiúra e beleza. 
 

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