domingo, 13 de março de 2011

Coca Zero com gelo e limão

O ébrio

Basta eu anunciar que parei de beber e a reação das pessoas é sempre de reprovação e espanto. Ser abstêmio é como ser um ET, um intruso, um estraga-prazer.

Ora, se eu quiser beber, eu bebo. Se não quiser, não bebo. Por que devo fazer o que os outros fazem? Para agradar? Nem que a vaca tussa duas vezes!

Parei de beber faz um tempo e percebi que alguns bêbados ficam incomodados com a minha caretice. É como se eu, para provar que sou homem, fosse “obrigado” a consumir álcool. Afinal, “pega mal” para um marmanjo como eu tomar Coca Zero com gelo e limão, enquanto os outros pedem chope, cerveja e pinga.

Pega nada. Na boa, não tô nem aí para o que os outros pensam.

Na adolescência e juventude, bebia. Mais para vencer minha timidez que por prazer. O álcool nunca me caiu bem, embora tenha tomado alguns porres vergonhosos que me levaram para o pronto-socorro.

Hoje, sou abstêmio por opção. E enfrento com bom-humor o preconceito e a provocação daqueles que querem me ver “de fogo”, fazendo striptease sobre a mesa.

Charles Baudelaire, o poeta francês, escreveu que “é preciso estar sempre embriagado [...] com vinho, poesia ou virtude, a escolher”. Para não sentir “o fardo horrível do tempo”, como aconselha o poeta, eu escolhi me embriagar de chocolate e sorvete de baunilha. 

Um comentário: