sexta-feira, 18 de março de 2011

Entre malandros e manés

Balsa entre Ilhabela e São Sebastião

Na volta do feriado de Carnaval, eu e JK ficamos duas horas na fila para atravessar a balsa entre Ilhabela e São Sebastião, no litoral norte de São Paulo.

Em determinado momento, dois sujeitos tentaram furar a fila. O motorista do carro que estava atrás do nosso não deixou. Buzinou para avisar o policial. O policial veio. Conversou com os dois e eles foram obrigados a se encaminhar para o final da fila.

Alguns podem achar esse tipo de ocorrência sem importância. Outros até permitiriam que os “espertinhos” entrassem na sua frente. Eu, no entanto, acredito que são essas pequenas atitudes do cotidiano que revelam o quanto ainda somos “selvagens”.

Não generalizo. A maioria, pelo menos neste caso, seguia sem tentar “levar vantagem”. Mas “levar vantagem” parece fazer parte do DNA do povo brasileiro. Você, aí, que fica indignado com as falcatruas políticas, quantas falcatruas já cometeu na vida?

Se tivessem conseguido furar a fila, os dois sujeitos, com certeza, estariam se vangloriando até hoje. Afinal, como diz o samba de Bezerra da Silva, “malando é malandro e Mané é Mané”. E, entre malandros e Manés, ninguém quer pagar de otário.

É esse “jeitinho brasileiro” de “levar vantagem” em tudo que mantém o Brasil na merda. Um país onde um passa a perna no outro e ainda ri disso, como se fosse a coisa mais “normal” do mundo, nunca será um país sério.

Pior: nos orgulhamos da nossa “malandragem”, da nossa “esperteza” em ludibriar o outro, em descumprir as leis, em conseguir um atestado médico falso para faltar ao trabalho.

Acredite: se tivéssemos vergonha na cara e respeitássemos os direitos das outras pessoas, o Brasil seria um lugar bem mais agradável e civilizado. 

2 comentários:

  1. Tenho HORROR dessa incivilidade do "levar vantagem". Horror. Meu grande problema em ser brasileiro e morar nesse país é esse. Isso me agride e me afronta. Nutro o mais profundo desprezo por todo e qualquer ser que haja dessa forma.

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  2. Já presenciei muito pior. Quatro idosos, uma delas fingindo passar mal. Todos ajudaram. Furaram e se foram. Não é que mais tarde os encontro no Fazendão, bem alegrinhos. A vontade era de furar o pneus do carro dos F D P. Aí vem a máxima, não respeito mais ninguém só pela idade, os canalhas também envelhecem.

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