segunda-feira, 14 de março de 2011

Eu me amo

Espelho, espelho meu...

Queria muito me amar. Muito mesmo! Dizer que não posso viver sem mim. Ser feliz ao meu lado. Queria... Mas quanto mais me conheço, quanto mais coisas descubro sobre mim, mais acabo brigando comigo.

É por isso que não acredito nesse papo furado de autoestima.

Quem diz que se ama incondicionalmente é um ingênuo. Acredita na própria bondade, considera-se belo e encantador, realizado e feliz, acima do bem e do mal. No fundo, acho que vive do autoengano, mente para si mesmo. Ou ignora seus defeitos e limitações.

Alguém duvida, por exemplo, que Rodrigão, o bonitão do “Big Brother Brasil 11”, é o típico exemplar de troglodita oco com autoestima acima dos níveis suportáveis?

O cara se acha. Por isso, é indiferente aos outros. Acha os outros “menos” que ele. 

Sim, devemos acarinhar o nosso ego sempre que possível. Não há nada de mal nisso. O problema é que essa indústria da autoestima e da vaidade blefa ao querer nos convencer de que somos “divinos & maravilhosos”.

Não, não somos. Na maioria das vezes, somos medíocres, pueris, sem graça, desinteressantes, dispensáveis, maldosos. E ter consciência disso não é nenhuma tragédia. Muito pelo contrário. Ajuda a gente a entender o nosso lugar no mundo e, quem sabe, a se transformar em um ser humano um pouquinho mais tolerável.

No meu caso, tenho defeitos demais para me amar. Por isso, deixo essa árdua missão para quem estiver a fim de correr o risco. 

É com o amor do outro e o amor que dedicamos ao outro que podemos nos tornar pessoas melhores. Quem ama a si mesmo não tem tempo para mais ninguém. Masturba-se. 

7 comentários:

  1. Sensacional seu post. Concordo com cada palavra!
    Acho que se eu tentar descrever mais, seria redundante. Estou me sentindo como você, hoje. É por isso que nos entendemos ;)

    Beijos, fique bem!

    ResponderExcluir
  2. Discordo totalmente. As melhores pessoas que conheci na vida são as que têm grande autoestima, e as piores são as que não se amam. E penso que é rigorosamente impossível uma pessoa amar a outra se não se amar (e muito) primeiro -- o que não tem nada a ver com ignorar os próprios defeitos e nem supervalorizar as próprias qualidades.

    ResponderExcluir
  3. Johann, você é um romântico, um Jedi. Eu pertenço ao "lado negro da força". Esse papo de autoestima só leva ao autoengano. Conhece-te a ti mesmo e verás que não somos merecedores de perdão.

    ResponderExcluir
  4. Nossa... Pondè na veia!!!

    ResponderExcluir
  5. Ih, Marcos, acho que não é por aí, não. Até sou romântico, mas acho que estou mais perto do "lado negro" do que vc. Acho esse pensamento específico bastante cristão. Eu não peço perdão, para começo de conversa, rsrsrs. Por isso a ideia de merecer ou não merecer perdão me é totalmente alienígena.
    Abs!

    ResponderExcluir
  6. Agora, à parte o lado filosófico, o lado prático: minha experiência me provou que nem todas as pessoas com baixa autoestima são más, mas toda pessoa má tem baixa autoestima. E nem toda pessoa com alta autoestima é boa, mas toda pessoa boa necessariamente tem elevada autoestima. Isso é algo que não posso contestar, pois me foi provado por a + b. Mas entendo que cada pessoa tenha suas próprias experiências, e assim forme seus próprios conceitos.

    ResponderExcluir
  7. Coerente sua visão sobre o modo como se lida com a autoestima.

    ResponderExcluir