quinta-feira, 3 de março de 2011

A garota Paul McCartney

Garota Paul McCartney

Em que ano estamos mesmo? 1967? Ano em que os Beatles revolucionaram o rock com “St. Peppers”? A Garota Paul McCartney acha que sim. Prefere o velho ao novo, o clássico ao moderno, o LP ao MP3.

Claro. A Garota Paul McCartney foi ao show do ex-Beatle no Morumbi. Ouviu “Yesterday” abraçadinha ao namorado. Que fofo! Disse que se sentiu “agraciada” pela oportunidade de ver um dos Fab Four ao vivo.

Não há como negar: a banda de Liverpool é uma das mais importantes da história do rock. E a Garota Paul McCartney sabe muito bem disso. Eu também.

Mas em que ano estamos mesmo?

Pois é. Para a Garota Paul McCartney pouco importa. Para ela, o mundo parou em 1900 e bolinhas. De lá pra cá, nada que surgiu de novo presta. Ou quase nada. É o peso do passado museológico se sobrepondo ao presente e, talvez, ao futuro.

É fato: comparar a obra monumental dos Beatles com qualquer coisa que veio depois é covardia. Nesse ponto, a Garota Paul McCartney tem toda razão. Mas gostar de Beatles, Stones ou Beach Boys, hoje, é bem mais cômodo do que se aventurar por novos sons que surgem por aí.

Afinal, qual o desafio de ouvir velhas canções que as nossas mães/avós ouviam na vitrola da sala de casa desde que a gente fazia “gugu dada”?

Difícil mesmo é seguir em frente e encarar artistas que, bem ou mal, procuram apresentar novas propostas musicais. Encontrar o bom no meio de tanta coisa ruim. Acostumar os ouvidos para sonoridades menos “familiares”.

Para a Garota Paul McCartney deve ser ainda mais complicado entender que estamos em 2011 e que o mundo mudou muito desde que Lennon decretou o fim do sonho.

Viciada em “Greateast Hits” e “The Best of”, drogas pesadas que deixam a pessoa alucinada em sucessos antigos, a Garota Paul McCartney esquece que, de vez em quando, é preciso abrir as janelas para arejar o ambiente, ajeitar as gavetas para caber coisas novas.

Não precisa jogar fora os discos dos Beatles. Apenas encontrar espaço para o mundo pós-Beatles, pós-Caetano, pós-Chico, pós-Dylan, pós-Stones.

Passado e presente podem caminhar lado a lado, sem que um anule o outro. 

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* Este post é para uma amiga fã dos Beatles e que não gosta de quase nada atual.

Um comentário:

  1. Eu nem sou fã de Paul McCartney e sempre gostei e ainda gosto de descobrir sons novos e diferentes. Mas tá difícil. Não sei se tem relação direta com o advento do mp3, mas o fato é que a música do século atual é, em sua maioria, cópia mal-disfarçada do que já se fez no século passado. Entre novidades requentadas e velhas novidades, fico com as originais mesmo.

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