sexta-feira, 25 de março de 2011

Go home, gringo!

Schwazenegger e James Cameron em Altamira, no Pará

Fizeram um jantarzinho de gala pra ele. Mas os índios não foram convidados, claro. Foi rega-bofe pra bacanas. E a tietagem correu solta, como informou a coluna de Mônica Bergamo na “Folha”. Os deslumbrados queriam beijar a mão de James Cameron e saber qual a opinião dele sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. O diretor de “Avatar” não titubeou: é contra! Assim como a atriz Sigourney Weaver, sua companheira de viagem aos confins de um Brasil que nem os brasileiros do sul conhecem direito, que dirá um sujeito que veio do frio.

Não sei quais manobras levaram o cineasta canadense a se intrometer em assunto que não lhe diz respeito. De repente, ele apareceu no noticiário, de boné, abraçado aos índios, num papo ecológico com Marina Silva e pedindo audiência com o presidente Lula para, quem sabe, convencê-lo de que a construção de Belo Monte não é legal. Em carta enviada ao presidente, Cameron cita “razões racionais e razões emocionais” para que “a questão seja reconsiderada”. Lula não o recebeu. Boa, presidente!

Essa não é a primeira vez que um gringo cai de paraquedas na floresta amazônica e mete o bedelho onde não é chamado. Na década de 1980, o cantor Sting se aliou ao botoque do caiapó Raoni para defender o Xingu. Os dois percorreram a Europa em campanha contra a invasão das áreas indígenas. E Sting, depois do mico socioambiental, nunca mais recuperou o brilho dos tempos do Police.

Não sou dado a patriotices. Acho boboca gente que sai por aí dizendo que “o Brasil é o melhor país para se viver”. Não, não é. E os motivos que mantêm o Brasil na merda todos já estamos cansados de saber quais são. Mas me incomoda ver um gringo palpitar em assunto (Belo Monte) que deveria ser debatido com seriedade apenas por brasileiros. Ou alguém acha que Pandora é aqui, somos seres azuis e precisamos do socorro de “soldados” vindos de uma civilização mais avançada para salvar os “povos da floresta”?

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Escrevi o texto acima quando James Cameron aterrissou por aqui em abril de 2010. Ele voltou. Agora acompanhado por Arnold Schwazenegger. Ambos participaram do 2o Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus.

Pergunta: o que James Cameron e o “Exterminador do Futuro” entendem de sustentabilidade? Para piorar, em seu discurso, Schwazenegger chamou o Brasil de México. Se o cara não sabe direito nem onde está, que autoridade tem para conversar com os índios sobre a usina de Belo Monte? Porra, Brasil!
 

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