quinta-feira, 24 de março de 2011

A mãe da Britney

Presente e futuro. Foto: Irina Werning

Há mães e mães, certo? Tem mãe dona de casa, mãe executiva, mãe puta, mãe beata, mãe solteira, mãe superprotetora, mãe destrambelhada.

A britânica Kerry Campbell é típica espécie em ascensão de mãe destrambelhada. Sabe o que ela faz? Aplica botox na filha de apenas oito anos. E sabe pra quê? Pra transformar a filha, Britney (Britney?!), em uma estrela. É sério! Deu no jornal “The Sun”. A doida acredita que, no futuro, a filha será modelo, atriz ou cantora.

Talento? Vocação? Hum, mero detalhe...

Pois é, mundo cão, o culto à celebridade está atingindo níveis radioativos, capazes de derreter o cérebro até das mães, que deviam zelar pelo bem dos filhos, mas fazem deles espelhos das suas próprias frustrações.

O caso de Kerry Campbell é extremo. Mas, ei, mãe, será que sua filha quer mesmo ser modelo? Tem o biótipo necessário para seguir nessa profissão? Minha diarista, por exemplo, acha que a filha dela tem chances. Vive perguntando sobre agências onde ela poderia levar a menina. Como julgá-la?

O ser humano é tosco. Sempre foi. E, agora, com essa onda maluca de todo mundo querer aparecer na televisão, na capa da revista, nas passarelas da moda, até as mães estão perdendo o prumo e o senso do ridículo. Algumas, como Kerry, precisam ser interditadas pela Defesa Civil imediatamente.

E quantas mães como ela não existem por aí, hein?

O mais grave desse exagero todo é que estamos criando um exército cada vez mais numeroso de “monstrinhos”, crianças que, quando adultas, com a cabeça fodida, vão ter que lidar com a decepção de levar uma vida “normal”, longe dos holofotes. Vejo aí um aumento considerável do uso de ansiolíticos...

Pior: se fosse provado que para ser modelo, atriz ou cantora bastava aplicar botox em suas filhas de oito anos, aposto que muitas mães não pensariam duas vezes em aderir à prática.

Afinal, estamos construindo um mundo onde, para provar que "existimos", precisamos ser reconhecidos pelos outros. Caso contrário, não somos ninguém.
 

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