terça-feira, 29 de março de 2011

O bife

Comer ou não comer?

Encaro o bife à minha frente. Antes mesmo de comer o primeiro pedaço, já consigo imaginar o prazer que sentirei em saboreá-lo.

Continuo encarando o bife. E meu desejo de devorá-lo só aumenta...

De repente, minha consciência inicia uma viagem aterrorizante à fazenda industrial onde os animais sofrem horrores, são mortos e despedaçados para virarem bifes.

Meu desejo reage. Não é um desejo qualquer. É um desejo adquirido ao longo de milhares de anos de evolução, desde o tempo em que o homem ainda precisava caçar para sobreviver. A espécie humana sempre comeu carne.

A consciência, no entanto, me faz hesitar novamente. Lembro do livro “Manifesto pelos Direitos dos Animais” (Record, 2009) e das barbaridades cometidas contra os bichos descritas com rigor científico pela autora, a Rafaella Chuahy.

De um lado, o desejo, o prazer de degustar o bife. Do outro, a consciência, a culpa por saber o quanto os animais sofrem nos abatedouros e que florestas inteiras são devastadas para que esse bife chegue à minha mesa.

Saber demais, às vezes, é uma merda!

O bife continua ali, pronto para ser devorado. E eu continuo relutando entre a satisfação do meu desejo e a indignação da minha consciência.

Ai, ai, comer já foi tão simples...

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