sábado, 26 de março de 2011

O humor de mau humor

Na “Folha de S.Paulo”, uma charge do jovem ilustrador João Montanaro retratando o tsunami no Japão fez barulho. Leitores do jornal repudiaram o desenho. 

No “Estado do Paraná”, outra charge, desta vez sobre a visita de Barack Obama ao Brasil, também causou polêmica. A ilustração é do cartunista Luiz Solda.

O desenho de João Montanaro, segundo alguns leitores, seria de “mau gosto”. O de Luiz Solda, “racista”.

Observe as duas imagens abaixo e tire as suas próprias conclusões. 

Charge de João Montanaro

Charge de Luiz Solda

A questão é: existe limite para o humor? Ou o humor estaria acima do bem e do mal?

Num show de stand-up comedy, por exemplo, o público ri sem culpa de piadas que fazem troça de gays, negros, judeus, deficientes físicos, loiras burras, pobres, gordos etecetera etecetera. Mas, se as mesmas piadas são reproduzidas no Twitter ou em outro meio de comunicação, a reação imediata das pessoas é de indignação e fúria.

Existe, então, "ambiente apropriado” para fazer humor? Num lugar pode, no outro não? Por quê? Qual a diferença? Não estaríamos sendo hipócritas ao agir assim? Que comportamento esquizofrênico é esse que escolhe hora e local para se sentir ofendido?

Ok, vivemos na época da chatice e da patrulha. Isso acaba deixando a gente um pouco paranóico: “Melhor não falar isso ou aquilo, pode pegar mal”. E com o nosso riso sendo vigiado de perto pelos fundamentalistas da correção política, fazemos de tudo para ser/parecer pessoas “boazinhas”, “certinhas”, “fingidinhas”.

É o humor de mau humor. 

Pra finalizar, cai bem aqui aquele famoso aviso, devidamente modificado, mas que demonstra com perfeição o nosso atual estado de espírito: “Cuidado ao sorrir, você está sendo filmado”.

Em tempo: que fim levou o bom senso?

Um comentário:

  1. Adorei o post!!!! =DDDD
    Muito bom ;)

    Beijos, Marcos, até a próxima! ;)

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