segunda-feira, 28 de março de 2011

A questão nuclear

Região de Chernobyl, na Ucrânia

O vazamento de radiação na usina de Fukushima, no Japão, reacendeu o debate sobre energia nuclear. Nessa discussão – mais ideológica que racional, como sempre – parece haver apenas dois lados: sim ou não, ser contra ou à favor. 

Ei, o mundo não é tão simples assim, viu?

Lendo “Solar” (Companhia das Letras, 2010), do britânico Ian McEwan, me deparei com o seguinte trecho, em que o protagonista, o físico Michael Beard, é convidado a emprestar sua “vasta experiência em matéria de tecnologias verdes a fim de que as políticas públicas passassem a priorizar a energia nuclear livre de carbono”.

Eis o que pensa Michael Beard a respeito:

“Bem, naturalmente era uma tese bem defensável. Os níveis de dióxido de carbono continuavam subindo e não havia tempo a perder. De fato, só havia um meio bem testado de produzir energia em escala suficiente para satisfazer as necessidades de uma população mundial em crescimento. E fazê-lo logo, sem contribuir para agravar o problema. Muitos ambientalistas respeitados haviam terminado por aceitar o ponto de vista de que a energia nuclear era a única saída, o menor dos males [...] Será que, na nova escala de problemas, um acidente ou outro, um vazamento local, seria a pior coisa imaginável? Mesmo sem nenhum acidente, o carvão gerava um desastre a cada dia, e seus efeitos eram globais. E também não era verdade que a zona de exclusão em torno de Chernobyl, com 28 quilômetros de raio, constituía agora a região biologicamente mais rica e mais diversificada da Europa Central, com taxas de mutação de todas as espécies de flora e fauna apenas ligeiramente acima da média, se é que tanto? Além disso, não era a radiação somente outro nome para a luz do sol?”

A questão a ser respondida por todos nós é: “Será que, na nova escala de problemas, um acidente ou outro, um vazamento local, seria a pior coisa imaginável?”

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