domingo, 27 de março de 2011

A solidão é uma merda

Solidão

Estar só é diferente de se sentir só. Eu, por exemplo, me viro bem sozinho, sem ninguém por perto para encher o meu saco.

Muitas vezes, prefiro a companhia de um bom filme ou de um bom livro à presença quase sempre ruidosa & inconveniente & perfumada demais das pessoas na sala de jantar.

Foda mesmo é se sentir só. Aí não tem jeito. Você pode estar no meio de uma multidão feliz e não vai adiantar nada. A solidão vai continuar ali, isolando você, fazendo você parecer “invisível”.

É nessa hora que os solitários crônicos costumam maldizer os outros. Não percebem que os outros não têm nada a ver com o seu sentimento de solidão.

Uma coisa é ser ignorado, esnobado, marginalizado. Outra, bem outra, é sua própria incapacidade de interagir, de sentir prazer em estar na companhia das pessoas.

Entendo a dor dos solitários porque entendo dessas dores que mordem a gente por dentro. Controlo as minhas com remédio: um comprimido de Exodus 10 mg por dia. Mas jamais, em nenhum momento, me fiz de vítima.

Acho a vitimização indigna. A autopiedade, para mim, é subterfúgio dos covardes. Siga o exemplo dos japoneses.

Depois do tsunami que matou milhares de pessoas no país, não vi uma cena sequer de piripaque emocional. Seriam os japoneses frios? Não penso assim. Eles apenas não sentem pena de si mesmos. Não ficam se lamentando sobre o “leite derramado”.

Ou você assume de uma vez que está doente e busca ajuda médica ou enfrenta suas dores de cabeça erguida, sem posar de coitado nem jogar no ombro alheio a responsabilidade por seu isolamento.

Sim, a solidão é uma merda. Mas a autopiedade é pior. A autopiedade nos paralisa.
 

Um comentário:

  1. Espero sinceramente que sua solidão tenha sido resolvida. Tenha passado. Eu amo uma pessoa que me pediu pra sair da vida dela e sei o quanto a solidão machuca. Do fundo do meu coração, desejo que esteja muito feliz agora.

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