domingo, 13 de março de 2011

TERROR DIURNO (por Giuliana)

Depressão: depoimentos*

Eu voltay! Demoray, mas voltay!

Viva? Sim( ) Não( ) Meilá, meicá(x)

Cansada? Sim( ) Muito( ) Bagarai(x)

E a pergunta que não quer calar: Lulu dorme? Não( ) Claro que não ( ) Não, nemfu(x)

Bom, minha demora se deve a inúmeros fatores, sendo o de maior relevância, a falta de memória. Não que eu tenha esquecido do blog, não é isso. Acontece que eu costumava confeccionar mentalmente meus posts na calada da madrugada, para poder transcrevê-lo talequal numa hora mais oportuna. Hoje, eu ainda os teço na madrugada, com a diferença que no instante seguinte, eu não me lembro de uma linha sequer do que tinha pensado. Acredito eu, que devido a esse aporte medicamentoso a qual estou sendo submetida. Me sinto um hamster de laborátorio. Grave? Nem tanto. Então que hoje dormi com papel e caneta embaixo do travesseiro. E eis aqui o filho duma insônia.

Seguinte, estou tendo terror diurno. E vocês sabem o que é terror diurno? É assim: Lulu dorme, acorda uma hora depois, fico tentando fazê-la dormir a noite toda, quando olho na janela NÃO NÃO NÃO NÃO, MIL VEZES NÃO, MAIS UMA VEZ NÃO, POR DEUS, NÃOO! JÁ É DIA DE NOVO!

Isso caracteriza o chamado terror diurno.

Como previ no post anterior, estou entupida de remédios até a tampa experimentando vários remedinhos pra mode me adaptar a esse novo padrão de vida notívago, sem pirar.

Antidepressivos para o pânico, betabloquadores para arritimia e ansiolítico nas horas vagas (optei logo pelo combo que era mais barato) e, infelizmente, esse troca-troca de remédios se faz necessário até conseguirmos, eu e meu pareceiro de luta Dr. Guilherme, encontrar algum que não fo… danifique uma coisa enquanto conserta a outra. Ou pelo menos até eu conseguir levantar da cama sem dar com a cara na porta (fechada) do quarto. Demodusqui já contabilizei essa semana a incrível marca de: uma cabeçada na parede, duas na porta; derrubei uma torre de vitaminas na farmácia e outra de sucrilhos no mercado; dois tombos, sendo um dentro de um shopping lotado de pessoas sem coração; uma quase batida de carro(ei Ciretran, Detran, escitalopran, abre o olho comigo! Não por nada, mas quem sabe me impedir de dirigir por uns 20 dias, ou cassar minha carta, hein? Fica a dica)

Enfim, esses ajustes, como são chamados, são bem chatinhos, mas extremamente úteis. Vou exemplificar com um exemplo (ãn?). Um dos remédios me causa insônia e o outro me causa sônia, ou seja, conhecem a Lady? Lady Murphy? Então, ela é quem está regendo minha vida desde o incidente sincopal. É essa moça que faz meu organismo implorar por sono quando Lulu tá acordada e a ficar ligadaça quando ela tá dormindo. Como proceder nesses casos, comandante Hamilton?

Sei que esse remédio que me dava sônia me fazia entrar numas! Nem Kurt Cobain poderia imaginar os maravilhosos efeitos da trazodona no organismo. Estava tendo uns sonhos do tipo Lucy in the Sky with Diamonds. Ora voando num tapete mágico onde Alladin era Robert Downey Júnior, ora cantando pra milhões de adolescentes, sendo eu Giulihanna Montana, ou ainda, surfando numa onda gigante com Tayrone e Justin Bieber. Agora, tem um sonho recorrente que sempre acontece quando eu tô bem high de remédios/ou anestesiada/ou desmaiada. Sem brincadeira, jent! Sempre que tô nesse estado, eu sonho/encontro com Fábio Assunção em algum patamar de consciência que acho só nós, adictos, sabemos existir. Ele tá sempre sorrindo pra mim, de braços abertos, me dando boas vindas com aqueles dois zóiosazuis (é serio isso). Coisa de almas….

Aí vem Dr. Guilherme cortar meu barato, por que esse remédio tava me dando sono demais além duma taquicardia violenta. Então trocamos para um que –vibrem comigo- tem uma infinidade de efeitos colaterais, que eu prefiro chamar de efeitos especiais (acho mais hollywoodiano e chique). Um dos efeitos especiais é me fazer engordar uns 245kg e virar a VovóZona, mas pensando pelo lado Polyannico da vida, até que uns quilos a mais serão bem vindos, já que em dezembro perdi alguns deles e no lugar de pernas, agora carrego tacos de sinuca (não bronzeados).

Mas, tô melhorando e grazadeus, não cheguei a ter aquelas crises estratosféricas, onde eu achava que minha cama/cérebro/geladeira/coração/marmitex/panela/chuveiro/carro/Diego, meu gato iriam explodir a qualquer momento e fazer voar Giuliana pá tudoquélado. Grazadeus e ao Super Dr. Guilherme, que não me deixou chegar nesse ponto. Às vezes, quando estou dirigindo sinto meu corpo fazendo download de alguma crise; paro o carro, viro pra trás, me concentro na Lulu e repito o mantra: eu sou responsável por ela, eu sou responsável por ela… Enfim, uma vez li num livro da Fernada Young (sim, eu lia Fernanda Young antes mesmo de iniciar nas drogas) um trecho que dizia mais ou menos assim: "...as gêmeas eram o fio terra que a conectavam a realidade” e é bem isso que sinto. Quando tô indo pruma outra dimensão, Lulu me puxa de volta.

Bem, se eu estou melhorando? Sem dúvida. Anunciantes, podem voltar a me procurar, pois já não ofereço mais riscos a sociedade. Apesar que, uma pessoa que discute com o recado de voz da caixa postal não pode estar muito normal. Mas se o recado for do seu psiquiatra… TÁ TUDO BEM AGORA, GIULIANA, passou… respira shhhhhh shhhhhhhh

O ministério da Giuliana adverte: ter pânico não é ser fresca, não é sentir um medão, não é falta do que fazer, não é mente- ociosa- oficina- do- diabo. Síndrome do pânico é uma doença psiquiátrica e tem que ser tratada como qual. Felizmente existem remédios pra isso. Não é uma pena perpétua. É uma fase, e com o tratamento adequado ela pode ser contornada.

Tem uma frase de Tati Bernardi que acho que resume a relação que eu tenho com a doença: "Tenho pânico. Não tenho orgulho disso, mas também não tenho vergonha.”

Sei que não é função desse blog dar explicações sobre Síndrome do Pânico, pois seria fugir do tema Lulu- não- dorme. Peço perdão aos leitores que ficam a espera de um post sobre a saga insone da minha filha, mas não poderia deixar de falar sobre o assunto que está me impedindo de escrever. Muita calma nessa hora e em breve voltaremos com nossa programação normal. Assim espero. Amém. Inshalá.

*Momento responda leitor: Pessoa que diz pro médico: sim doutor, já tomei o Ecstasy hoje, ao invés de Exodus, está se entregando ao ato falho ou apenas se confundiu com os prefixos parecidos?

Acesse o blog da Giuliana. É muito bom! Lulu Não Dorme

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