quinta-feira, 10 de março de 2011

Uma questão delicada

 Owen e Eunice Johns

Reproduzo abaixo reportagem publicada no jornal "Le Monde". A questão é delicada. E eu não sei se concordo ou não com a decisão da Suprema Corte britânica. Será que não houve rigor exagerado em relação aos direitos homossexuais? 

Leia, dê sua opinião e me ajude a desembaralhar as ideias.  

Uma Leitura Muito Rigorosa dos Direitos dos Homossexuais
Por Virginie Malingre | Tradução: Lana Lim

Para Eunice e Owen Johns, casados há quase 40 anos, não pode haver sexo fora dos laços sagrados do casamento. É uma convicção profunda que habita esse homem e sua esposa, membros fieis da Igreja Pentecostal. A religião dos dois condena qualquer relação homossexual, da mesma forma que proíbe um homem e uma mulher de dividirem o leito antes de passarem diante do padre...

Nesse contexto, julgou a Suprema Corte britânica, no dia 28 de fevereiro, que esse casal de Derby (noroeste da Inglaterra) não pode assumir o papel de família adotiva. Os Johns souberam fazê-lo com seus filhos. Eles criaram quatro deles antes de acolherem cerca de quinze garotas e meninos sem lar. Os serviços sociais nunca tiveram do que se queixar a seu respeito, pelo contrário.

Mas desde 2007 as leis pela igualdade propostas pelos trabalhistas são muito claras. Quer se trate de uma adoção ou de acolhimento temporário, os municípios devem se assegurar de que as famílias a quem eles confiam uma criança preconizarão os benefícios da diversidade e da tolerância. Mesmo que isso vá contra suas crenças.

“Inquisição laica”

Foi por isso que quando os Johns quiseram, em 2008, renovar seu acordo para receber em suas casas crianças de 5 a 8 anos, eles receberam uma recusa definitiva. “São pessoas hospitaleiras e gentis que sempre farão o máximo para que uma criança se sinta à vontade e bem-vinda”, pode-se ler no relatório que a prefeitura de Derby redigiu na época, mas “sua opinião sobre as relações de pessoas de mesmo sexo não é compatível com as exigências atuais e não está sujeita a mudar”.

Indignado, o casal atacou a decisão na justiça, argumentando que estavam sofrendo as consequências de seu engajamento religioso. “Não somos homofóbicos”, explica a sra. Johns, “a única coisa que nos recusamos a fazer é dizer a uma criancinha que a homossexualidade é uma coisa boa. Isso seria contrário a nossa religião”. Essa ex-enfermeira, de origem jamaicana como seu marido, afirma que nunca teve de falar sobre esse assunto diante de nenhuma das crianças de quem teve a guarda. E ela considera pouco provável que isso aconteça, levando em conta a idade de seus hóspedes.

A Suprema Corte não quis saber. Os direitos dos homossexuais, segundo os juízes, “passam à frente” dos direitos dos cristãos, judeus ou muçulmanos: “Nossa sociedade agora é pluralista e amplamente laica. Nós somos juízes laicos a serviço de uma comunidade multicultural".

O “Daily Telegraph”, conhecido por suas posições conservadoras, denunciou em um editorial “uma inquisição laica” que “obriga todos a aceitarem novas ortodoxias, podendo ser fichados como hereges em caso contrário”.

Um comentário:

  1. Eu acho que a Suprema Corte mandou muito bem. Que tal se eles fossem brancos e racistas, e estivessem requisitando o "direito" de ensinar às crianças que os negros são inferiores, por ex., à moda da eugenia oficial e supostamente científica de antigamente?
    Eles ensinarem a crianças que homossexualidade é pecado é o mesmo do que eles ensinarem que uma raça é melhor do que a outra. São absurdos equivalentes e, se eles quiserem achar isso, lamenta-se, mas é direito deles. Mas ensinar isso a crianças? No way.

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