sexta-feira, 1 de abril de 2011

Em nome do pai, do filho e do espírito de porco

Pecado?

Fiz a Primeira Comunhão. Aprendi a rezar o Pai Nosso, a Ave Maria e outras orações. Frequentava as missas de domingo.

Com esse histórico, eu podia ser um religioso. Podia...

A verdade, no entanto, é que, desde criança, essa conversa de que Deus criou o mundo em sete dias sempre me pareceu fantasiosa demais. E, em nenhum momento da minha adolescência, encarei punhetas e desobediências como pecado. Ou seja: nunca temi o tal “castigo divino” nem procurei pelo “perdão de Deus”.

Ao descobrir a homossexualidade, sabia que, se eu fosse “desmascarado”, seria sacaneado pelos outros garotos e, possivelmente, reprimido pelos meus pais. Por isso, fiquei quieto no meu canto. Mas jamais me achei “doente”, “anormal” ou “pecador” por sentir atração por outros homens.

Ao me calar, apenas procurava me proteger da reação sempre violenta e histérica da sociedade contra quem “foge à regra”. Meu silêncio nada tinha a ver com Deus.

E é isso o que mais me exaspera hoje.

Nunca dei bola para Deus, nunca pedi a sua "ajuda divina" para definir a minha sexualidade. Agora, esses crentes com espírito de porco ficam usando o nome de Deus para se meter na minha vida, para me achincalhar, para me chamar de “pecador”; querem que eu me converta, que eu vire um “ex-gay”.

Ora, eu respeito a liberdade religiosa de cada um. Se o sujeito acha que pagando dízimo tem entrada garantida no Reino dos Céus, ok. Mas que tal deixar em paz aqueles que preferem ir para “o quinto do infernos”?

Não dizem que Deus deu ao homem o livre-arbítrio? Pois bem. Cada um tem seu cu, cada um tem seu pinto e cada um faz o que bem entender com seu cu e seu pinto!

E os incomodados que se afoguem no vaso sanitário!

5 comentários:

  1. Hahahahaha, muito booom!!!!

    Que ótimo que você pensa assim =D Não deixe que ninguém o mude :)
    Seja feliz!

    Beijos!!!

    ResponderExcluir
  2. Não é bem assim cada um tem o seu pinto, mas no seu caso, já que você o tem e sabe o que quer fazer com ele, faça sem culpa, afinal é mesmo verdade que cada um tem o seu livre-arbítrio e é verdade que o pecado está dentro de nós, em nossa própria consciência, e Deus deve ser algo maior do que o que pensam os hipócritas humanos preconceituosos!

    ResponderExcluir
  3. Bom, a beleza do cristianismo é que pode-se ser um canalha a vida toda mas no último momento se arrepender e ser salvo... e o contrário também!

    ResponderExcluir
  4. Concordo com sua idéia, mas acho que vc deveria ser superior aos inimigos que tanto critica.
    Se você se tornar tão fundamentalista e fanático quanto eles (e é isso que estamos vendo acontecer na polêmica sobre homofobia), deverá merecer a mesma punição, não acha?

    Se queremos acabar com a intolerância no mundo, temos que começar sendo tolerantes ou nada conseguiremos. Querer acabar com a intolerância praticando a intolerância é começar sabotando a própria meta.

    Crentes devem ser proibidos de tentar converter gays que não queiram se converter. Gays devem ser proibidos de tentar impedir os crentes de converterem os gays que querem se converter. Isso seria a verdadeira justiça. E ninguém deve encher o saco de ninguém.

    ResponderExcluir
  5. PS. O título deste artigo ofende violentamente minha fé religiosa, o que há de mais sagrado para mim. Se eu tenho que engolir isso, é razoável que você também tenha que engolir alguma ofensa correspondente, não? Mesmo assim, eu não o ofenderei.

    ResponderExcluir