segunda-feira, 4 de abril de 2011

Homens e deuses

Assisti à “Homens e Deuses” (“Des Hommes et Des Dieux”, 2010), do cineasta Xavier Beauvois. O filme conta a história verídica de um grupo de monges franceses que vive num mosteiro em Tibhirine, na Argélia. É 1996 e o país está em guerra civil, com rebeldes jihadistas assassinando operários croatas e intimidando a população árabe.

Basicamente, o filme se prende na dúvida que angustia os monges: deixar a Argélia e sobreviver ou permanecer no país sob o risco de ter a garganta cortada pelos rebeldes?

“Homens e Deuses” é filme "de arte”, sono/lento, com looongas e belas cenas que apresentam o cotidiano dos monges. É cinema de contemplação. Bem diferente da porcaria  barulhenta que assisti antes: “Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles”. Hollywood em um dos seus piores momentos. Se não quiser vomitar, mantenha distância segura desse abacaxi podre.

Mas vamos ao que interessa.

Se, em “Homens e Deuses”, a atitude corajosa e humanitária dos monges faz a gente crer que existe alguma beleza na religiosidade, no Brasil, numa igreja da zona norte de São Paulo, essa beleza vira pó.

O padre Valeriano Paitoni, opondo-se às orientações do Vaticano, defende publicamente o uso da camisinha como forma de combater o vírus da AIDS. Seu posicionamento, claro, causou irritação em parte da cúpula da igreja. Resultado: o padre recebeu ordem para voltar para a Itália.

Pior: a decisão pode levar ao fechamento de um abrigo para jovens contaminados pelo HIV e mantido pelo religioso. A “bondosa” Arquidiocese de São Paulo é dona do imóvel onde está o abrigo, a Casa Siloé, e já anunciou que o abrigo deve deixar o local.

Taí mais um exemplo da intolerância de uma instituição que prega o “amor ao próximo”, mas nunca perde a oportunidade de foder com quem realmente ama o próximo.

O padre Valeriano quer apenas salvar vidas. O Vaticano, como sempre, quer decidir quem deve ou não morrer. Há alguma beleza nisso?

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